SUVs já vendem mais que carros populares no Brasil

Se desde “1900 e guaraná com rolha”, os veículos preferidos pelos brasileiros eram os carros compactos, em junho quebramos este conceito

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Caros leitores, digníssimas leitoras: acredito que a grande palavra dos últimos tempos é DISRUPÇÃO. Uma explicação simplificada dela é: a interrupção do curso normal de um processo.

No meio automotivo, tivemos o advento do compartilhamento do veículo (o melhor exemplo é o Uber); o surgimento dos carros por assinatura (em vez de ser dono do veículo); a eletrificação (na Europa, ela já é uma realidade). Esses são grandes exemplos de disrupção que estão tentando se consolidar no momento.

Outro exemplo, que tenderá a acontecer num futuro (talvez) não tão distante, é o surgimento de carros voadores.

O grande frisson deste mês de junho foi a possível fusão da EMBRAERX (empresa subsidiária da Embraer) ao valor de US$ 2 bilhões (ou R$ 10 bilhões) para avançar no desenvolvimento de carros voadores.

Mano, é Hanna-Barbera prevendo o futuro desde 1960 com os Jetsons!

Mas o que vamos abordar aqui são as pequenas disrupções que já vêm acontecendo.

Uma delas foi registrada em no último dia 11: a mudança comportamental do consumidor brasileiro na hora de comprar seu carro.

Se desde “1900 e guaraná com rolha”, os veículos preferidos pelos brasileiros eram os carros compactos (hatch pequeno), cujos exemplos vão desde o mitológico VW/Fusca até o recente Fiat/Mobi (o menor carro à venda no nosso mercado atualmente), em junho quebramos este conceito.

Usando a célebre passagem “nunca antes na história do nosso país”, a indústria automotiva está vendendo mais SUVs do que hatches pequenos no mercado brasileiro.

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(Observação: o Renault Kwid só é SUV na cabeça dos franceses. Para nós, ele é “alguma coisa” que se assemelha a um hatch pequeno)

Essa mudança comportamental não ocorreu do dia para a noite, mas foi acontecendo nos últimos 15 anos.

De fato, essa transformação está atrelada a um maior apetite por parte das montadoras em mirar nos lucrativos segmentos de SUV e/ou veículos premium. E essa é uma tendência que não tem mais volta. Todas as marcas estão indo para a mesma direção: o mercado de SUVs.

O resultado da VW ao longo do tempo mostra essa mudança. Sabemos que o mercado de SUVs vem crescendo desde 2007. Mas, analisando as vendas da octogenária Volks, percebemos que eles (já meio abrasileirados) estavam deitados em “berço esplêndido”, esperando ver o que ia acontecer com esse novo nicho.

Somente nos últimos dois/três anos que o pessoal do chucrute decidiu tomar rumo, entrando com tudo nesse segmento – e tendo uma das linhas mais completas de SUVs à disposição do consumidor brasileiro.

Pior que a Volks, só a Toyota. A montadoras japonesa demorou mais ainda para entrar de cabeça nesse subsegmento.

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Em geral, as marcas orientais no ramo automotivo possuem uma certa “letargia” para aceitar essas mudanças. O lançamento do Corolla Cross, mesmo que tardio, deu uma reviravolta no mix de produtos da marca. Quase 40% de todos os carros que a Toyota está vendendo em junho é de SUVs. E os SUVs da Toyota já correspondem por quase 12% de todo esse mercado.

Mesmo sendo retardatária, os japoneses da Toyota sempre fazem as suas “toyotices” para virar o mercado a seu favor… afff!

Essa mudança comportamental no perfil de consumo do brasileiro deverá ser “o novo normal” daqui para frente. Basta folhearmos as tradicionais revistas (ou sites) do setor automotivo para percebermos que a maioria dos grandes lançamentos futuros serão neste segmento.

O ponto central para qualquer marca é entender esse novo perfil de consumidores que está atrás de um SUV. São clientes mais antenados, mais bem informados sobre o produto e que consomem produtos com ticket médio mais alto.

Enfim, são novos tempos!

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Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.