E foi o crédito que salvou o ano!!

Quem impulsionou o mercado de veículos em 2017 foi o crédito! A redução da Selic impactou numa das menores taxas de financiamento e, por consequência, mais dinheiro foi emprestado. Mas para aonde o crédito foi e qual a perspectiva para 2018?

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

As vendas de veículos se recuperaram no ano passado. Já falamos sobre como foi o encerramento do ano aqui. Agora o que estamos fazendo é reforçando ainda mais sobre quais foram os grandes impulsionadores para o desenvolvimento do setor.

E o principal deles foi o crédito!

Como o Banco Central divulgou hoje os dados de dezembro, podemos fazer o encerramento do ano.

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No ano de 2017, tivemos mais de R$ 101 bilhões em concessões para veículos. O que representa um crescimento de 23% sobre o ano de 2016, quando tivemos R$ 82 bilhões em concessões. E ainda foi melhor que o resultado de 2015, quando tivemos a liberação de R$ 92 bilhões – ou crescimento de 10%.

O resultado é excelente, mas ainda estamos 9% abaixo da média do período 2012~2014, quando tivemos uma liberação de R$ 110,5 bilhões.

Um dos pontos não contabilizados pelo Banco Central é o sistema de consórcios. Hoje o produto consórcio é responsável pela concessão de quase 25% de todos os créditos no financiamento de veículos.

Quando os bancos, durante a crise, decidiram “pegar a bola e sair do play”, boa parte dos consumidores que queriam “brincar” encontraram o produto consórcio como uma solução ideal.

Tanto que, se pegarmos o que foi financiado e o que foi disponibilizado em cartas de crédito, o total do ano passado foi de quase R$ 134 bilhões. Volume próximo ao do ano de 2012, por exemplo, quando o total foi de R$ 137 bilhões.

EM R$ MILHÕESFINANCIAMENTOCONSÓRCIOTOTAL
2012111.08725.968137.055
2013109.20827.401136.609
2014111.29631.148142.444
201592.04533.804125.849
201682.24132.234114.475
2017101.08532.474133.559
VARIAÇÃO %FINANCIAMENTOCONSÓRCIOTOTAL
13 / 12-1,69%5,52%-0,33%
14 / 131,91%13,67%4,27%
15 / 14-17,30%8,53%-11,65%
16 / 15-10,65%-4,64%-9,04%
17 / 1622,91%0,74%16,67%
17 / 12-9,00%25,05%-2,55%
PARTICIPAÇÃO %FINANCIAMENTOCONSÓRCIO
201281,1%18,9%
201379,9%20,1%
201478,1%21,9%
201573,1%26,9%
201671,8%28,2%
201775,7%24,3%

Essa maior oferta no crédito está atrelada a uma forte redução nas taxas de juros. A taxa de dezembro ficou em 1,62% a.m. É a menor taxa nos últimos 48 meses!

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A redução da taxa de financiamento ao longo de 2017, despencou em 16%. Ela começou em 1,93% em janeiro.

Logicamente, que se tiver algum leitor que fará a correlação com a Selic (como fizemos) vai perceber que essa queda de 16% foi “quase nada” em relação a Selic. A Selic desabou de 13% para 7%, gerando uma queda de 46%. Mas temos que ser justos: a queda na SELIC não impacta “imediatamente” numa redução da taxa de financiamento. Estamos aqui falando em um delay de 60 dias até a redução chegar na ponta.

Na nossa visão “Poliana de ser”; devemos esperar que essa taxa continue com viés de baixa – pelo menos – neste primeiro semestre.

A redução das taxas e aumento nas concessões está ligada diretamente a uma melhora nas carteiras de financiamento. A inadimplência (da carteira) que em janeiro de 2012 era de ABSURDOS 6,26% caiu para 3,63%. O mesmo para aquele pessoal que não paga o seu carnê “rigorosamente em dia”. Sobre a mesma analise, em janeiro de 2012 tínhamos “APENAS” 16% da carteira em atraso, e pela primeira vez desde o início da série histórica, esse percentual de atraso caiu para UM dígito. O percentual em atraso em dezembro de 2017 ficou em 9,77%.

Outro ponto interessante que pegamos com o pessoal da B3, foi a mudança do perfil do comprador de veículos. Não há muito tempo atrás, numa galáxia não muito distante assim, a venda do veículo novo correspondia por mais da metade de toda a linha de crédito ofertada e esse percentual despencou para 35%. Em momentos de crise, o consumidor tende a se adaptar. O “El dorado” que era a compra do veículo novo, ficou assim “meio nublado”, e ficou para todos!

No caso do pessoal de pesados (caminhões; ônibus e implementos), onde tínhamos uma razão de 60% para novos e 40% para usados, esse percentual literalmente se inverteu. O mercado de motocicletas, onde praticamente todo ele era de motos novas, também está sentindo esse reflexo. Da sua participação média de 90%, no ano passado fechou em 80% para a aquisição da motocicleta nova. O de automóveis, onde a relação era 45% novos e 55% usados, hoje está próximo da razão 25% novos e 75% usados.

VEÍCULOS ALIENADOSNOVOUSADOTOTAL
20123.589.7843.359.0336.948.817
20133.530.0093.227.4786.757.487
20143.159.9283.232.8906.392.818
20152.338.5782.973.2995.311.877
20161.740.0842.913.9304.654.014
20171.801.3573.304.3705.105.727
VARIAÇÃO %NOVOUSADOTOTAL
13 / 12-1,67%-3,92%-2,75%
14 / 13-10,48%0,17%-5,40%
15 / 14-25,99%-8,03%-16,91%
16 / 15-25,59%-2,00%-12,38%
17 / 163,52%13,40%9,71%
17 / 12-49,82%-1,63%-26,52%
PARTICIPAÇÃO %NOVOUSADO
201251,7%48,3%
201352,2%47,8%
201449,4%50,6%
201544,0%56,0%
201637,4%62,6%
201735,3%64,7%

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=)

 

Raphael Galante

É economista, trabalha no setor automotivo há 14 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.

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