E foi o crédito que salvou o ano!!

Quem impulsionou o mercado de veículos em 2017 foi o crédito! A redução da Selic impactou numa das menores taxas de financiamento e, por consequência, mais dinheiro foi emprestado. Mas para aonde o crédito foi e qual a perspectiva para 2018?

Raphael Galante

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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As vendas de veículos se recuperaram no ano passado. Já falamos sobre como foi o encerramento do ano aqui. Agora o que estamos fazendo é reforçando ainda mais sobre quais foram os grandes impulsionadores para o desenvolvimento do setor.

E o principal deles foi o crédito!

Como o Banco Central divulgou hoje os dados de dezembro, podemos fazer o encerramento do ano.

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No ano de 2017, tivemos mais de R$ 101 bilhões em concessões para veículos. O que representa um crescimento de 23% sobre o ano de 2016, quando tivemos R$ 82 bilhões em concessões. E ainda foi melhor que o resultado de 2015, quando tivemos a liberação de R$ 92 bilhões – ou crescimento de 10%.

O resultado é excelente, mas ainda estamos 9% abaixo da média do período 2012~2014, quando tivemos uma liberação de R$ 110,5 bilhões.

Um dos pontos não contabilizados pelo Banco Central é o sistema de consórcios. Hoje o produto consórcio é responsável pela concessão de quase 25% de todos os créditos no financiamento de veículos.

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Quando os bancos, durante a crise, decidiram “pegar a bola e sair do play”, boa parte dos consumidores que queriam “brincar” encontraram o produto consórcio como uma solução ideal.

Tanto que, se pegarmos o que foi financiado e o que foi disponibilizado em cartas de crédito, o total do ano passado foi de quase R$ 134 bilhões. Volume próximo ao do ano de 2012, por exemplo, quando o total foi de R$ 137 bilhões.

EM R$ MILHÕES FINANCIAMENTO CONSÓRCIO TOTAL
2012 111.087 25.968 137.055
2013 109.208 27.401 136.609
2014 111.296 31.148 142.444
2015 92.045 33.804 125.849
2016 82.241 32.234 114.475
2017 101.085 32.474 133.559
VARIAÇÃO % FINANCIAMENTO CONSÓRCIO TOTAL
13 / 12 -1,69% 5,52% -0,33%
14 / 13 1,91% 13,67% 4,27%
15 / 14 -17,30% 8,53% -11,65%
16 / 15 -10,65% -4,64% -9,04%
17 / 16 22,91% 0,74% 16,67%
17 / 12 -9,00% 25,05% -2,55%
PARTICIPAÇÃO % FINANCIAMENTO CONSÓRCIO
2012 81,1% 18,9%
2013 79,9% 20,1%
2014 78,1% 21,9%
2015 73,1% 26,9%
2016 71,8% 28,2%
2017 75,7% 24,3%

Essa maior oferta no crédito está atrelada a uma forte redução nas taxas de juros. A taxa de dezembro ficou em 1,62% a.m. É a menor taxa nos últimos 48 meses!

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A redução da taxa de financiamento ao longo de 2017, despencou em 16%. Ela começou em 1,93% em janeiro.

Logicamente, que se tiver algum leitor que fará a correlação com a Selic (como fizemos) vai perceber que essa queda de 16% foi “quase nada” em relação a Selic. A Selic desabou de 13% para 7%, gerando uma queda de 46%. Mas temos que ser justos: a queda na SELIC não impacta “imediatamente” numa redução da taxa de financiamento. Estamos aqui falando em um delay de 60 dias até a redução chegar na ponta.

Na nossa visão “Poliana de ser”; devemos esperar que essa taxa continue com viés de baixa – pelo menos – neste primeiro semestre.

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A redução das taxas e aumento nas concessões está ligada diretamente a uma melhora nas carteiras de financiamento. A inadimplência (da carteira) que em janeiro de 2012 era de ABSURDOS 6,26% caiu para 3,63%. O mesmo para aquele pessoal que não paga o seu carnê “rigorosamente em dia”. Sobre a mesma analise, em janeiro de 2012 tínhamos “APENAS” 16% da carteira em atraso, e pela primeira vez desde o início da série histórica, esse percentual de atraso caiu para UM dígito. O percentual em atraso em dezembro de 2017 ficou em 9,77%.

Outro ponto interessante que pegamos com o pessoal da B3, foi a mudança do perfil do comprador de veículos. Não há muito tempo atrás, numa galáxia não muito distante assim, a venda do veículo novo correspondia por mais da metade de toda a linha de crédito ofertada e esse percentual despencou para 35%. Em momentos de crise, o consumidor tende a se adaptar. O “El dorado” que era a compra do veículo novo, ficou assim “meio nublado”, e ficou para todos!

No caso do pessoal de pesados (caminhões; ônibus e implementos), onde tínhamos uma razão de 60% para novos e 40% para usados, esse percentual literalmente se inverteu. O mercado de motocicletas, onde praticamente todo ele era de motos novas, também está sentindo esse reflexo. Da sua participação média de 90%, no ano passado fechou em 80% para a aquisição da motocicleta nova. O de automóveis, onde a relação era 45% novos e 55% usados, hoje está próximo da razão 25% novos e 75% usados.

VEÍCULOS ALIENADOS NOVO USADO TOTAL
2012 3.589.784 3.359.033 6.948.817
2013 3.530.009 3.227.478 6.757.487
2014 3.159.928 3.232.890 6.392.818
2015 2.338.578 2.973.299 5.311.877
2016 1.740.084 2.913.930 4.654.014
2017 1.801.357 3.304.370 5.105.727
VARIAÇÃO % NOVO USADO TOTAL
13 / 12 -1,67% -3,92% -2,75%
14 / 13 -10,48% 0,17% -5,40%
15 / 14 -25,99% -8,03% -16,91%
16 / 15 -25,59% -2,00% -12,38%
17 / 16 3,52% 13,40% 9,71%
17 / 12 -49,82% -1,63% -26,52%
PARTICIPAÇÃO % NOVO USADO
2012 51,7% 48,3%
2013 52,2% 47,8%
2014 49,4% 50,6%
2015 44,0% 56,0%
2016 37,4% 62,6%
2017 35,3% 64,7%

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Raphael Galante

Economista, atua no setor automotivo há mais de 20 anos e é sócio da Oikonomia Consultoria Automotiva