Cury saltou nas redes 48 horas antes de saltar na pesquisa

Antes de aparecer com 11% nas pesquisas, Augusto Cury já havia registrado um pico de atenção no X — e os dados do Claritor mostram quando ele aconteceu

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Em 31 de agosto, duas pesquisas divulgadas na mesma manhã, Nexus/BTG Pactual e AtlasIntel, mostraram Augusto Cury saltando para 11% das intenções de voto, consolidando a terceira posição na corrida presidencial de 2026.

O Claritor monitorava o nome havia dias.

E os números do X/Twitter contam uma história que a pesquisa oficial só veio confirmar depois: o pico de atenção digital já tinha acontecido, e por larga margem, quando o instituto ainda estava em campo.

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O paradoxo central: a pesquisa chegou atrasada

Entre 25 e 31 de agosto, o nome de Augusto Cury apareceu em 80.193 menções e 212,9 milhões de impacto no X. Isso é quase 83% de todo o impacto que o Claritor já registrou sobre ele desde que o monitoramento começou no início de agosto, concentrado em uma única semana.

O pico de menções foi no dia 27, com 18.164 posts.

O pico de impacto foi no dia 29, com 60,6 milhões, puxado por um único post que sozinho ultrapassou 11 mil retweets. A pesquisa que confirmou o salto só saiu no dia 31.

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Entre o auge da conversa nas redes e o número oficial, passaram-se 48 horas. A internet não reagiu à pesquisa. A pesquisa é que chegou para nomear o que a internet já tinha decidido.

O mecanismo de amplificação: vozes pequenas com alcance de rede nacional

O post de maior alcance da semana veio de @poponze, perfil verificado com 214 mil seguidores, que sozinho gerou 3,53 milhões de visualizações.

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Até aí, nada surpreendente.

O curioso vem logo depois: @heltonlimareal, um perfil não verificado com apenas 14,8 mil seguidores, quase 15 vezes menor, entregou 2,98 milhões de visualizações.

Praticamente o mesmo alcance de uma conta institucional, saindo de um perfil que ninguém identificaria como influente antes de olhar o número.

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Esse tipo de desproporção pode ser um sinal de um tema que escapou da bolha de quem publica e passou a circular pela indicação de quem lê.

Quando o alcance de um perfil pequeno se aproxima do de uma conta grande, o algoritmo já decidiu que o assunto interessa a mais gente do que ao público do autor original.

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O contexto humano: o eleitor jovem apareceu primeiro na timeline

As próprias pesquisas explicam de onde vem esse tipo de tração. Pela Nexus/BTG, Cury tem 22% das intenções de voto entre eleitores de 16 a 24 anos, e 16% na faixa de 25 a 40.

Pela AtlasIntel, os números são 12,1% e 19,8%, respectivamente.

É exatamente o recorte etário que domina a conversa no X, e é esse recorte que puxou a curva de impacto antes de qualquer instituto ir a campo perguntar.

Não é força bruta de volume. @guicury, autor do post mais compartilhado da semana, tem apenas 12 mil seguidores. Mas o post somou 11.422 retweets e 122.620 favoritos, quase onze curtidas para cada compartilhamento, um sinal de concordância silenciosa muito mais forte do que de propagação passiva.

O papel dos verificados: quando a imprensa carimba o que já viralizou

Dos 73.302 posts em português da semana, 9.356 vieram de contas verificadas, cerca de 12,8% do total.

É uma fatia relevante, mas não é ela que explica o pico. O que chama atenção é o momento em que a imprensa entrou: o G1, com 14 milhões de seguidores, publicou no dia 25, dois dias antes do pico de menções, e não depois.

A cobertura institucional não inflou a conversa, ela chegou cedo o bastante para acompanhar uma tendência que já estava nascendo nas contas pequenas.

O que isso revela sobre pesquisa e percepção digital no Brasil

Não cabe a esta coluna avaliar o mérito da candidatura de Augusto Cury, nem prever se o salto se sustenta. Cabe registrar um padrão que o Claritor já vinha capturando ao longo do ano eleitoral: a atenção digital costuma se mover antes do número declarado em pesquisa, não depois.

Uma pesquisa de intenção de voto mede o que o eleitor declara naquele momento. A timeline, por outro lado, pode captar sinais de atenção e mobilização antes que eles apareçam nas pesquisas.

O que aconteceu entre 26 e 31 de agosto é um lembrete de que, cada vez mais, quem quiser antecipar o próximo número da pesquisa deveria estar olhando para o feed, não esperando pela próxima rodada de campo.


Márcio Apolinário é jornalista, especialista em marketing e fundador da Claritor, plataforma de inteligência digital e percepção de marcas. Atua como Head of Marketing Science na Squid, liderando iniciativas de inteligência, dados e mensuração para o mercado de influência. Também é consultor da Análise Editorial e desenvolve estudos e análises sobre comportamento digital, reputação, marcas e comunicação.