A Copa e a liberação de estádios inacabados

O Estado mostra-se mais uma vez omisso ao liberar a Arena das Dunas, em Natal, para o jogo México x Camarões. As arquibancadas não estavam prontas e os bombeiros foram impedidos de fazer vistoria. A negligência é inconcebível e põe em risco a vida de milhares de pessoas.

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É inacreditável, inconcebível em qualquer lugar civilizado do planeta, mas aconteceu no Brasil. Na Arena das Dunas em Natal-RN, que recebeu hoje o jogo México e Camarões pelas eliminatórias da Copa do Mundo, as arquibancadas ainda não estavam prontas no dia do jogo e os bombeiros foram impedidos, pelo Comitê Organizador Local da Copa do Mundo, de realizar a inspeção técnica nas arquibancadas móveis do estádio.

Cadeiras soltas e falta de guarda corpo foram observadas pela corporação na véspera da partida e obras ainda eram realizadas no local. Retornando no dia do jogo, os responsáveis pela vistoria técnica não puderam entrar no estádio.

O pior é que a Secretaria de Segurança Pública do estado do RN foi alertada da situação, mas mesmo assim, a partida foi confirmada. É inconcebível que itens de segurança sejam negligenciados, colocando em risco a vida de milhares de pessoas. Cadeiras soltas e falta de guarda corpos são itens essenciais e que para a Fifa têm importância menor que um jogo de futebol.

Deixando de lado as discussões sobre custos da copa e se o evento trouxe benefícios ou não para o país, o FATO é que as obras do estádio estavam, estão e sempre estiveram muito atrasadas, o que poderia ser facilmente constatado por qualquer vistoria, permitindo aos organizadores o remanejamento dos jogos programados para aquele estádio.

Mas, ao invés disso, pautados em contratos comerciais, mantiveram a agenda conforme programada e confirmaram o jogo mesmo com as irregularidades apontadas, colocando em risco a vida dos torcedores que assistirão ao jogo. O Estado, mais uma vez omisso.

Marcelo Tapai

Marcelo Tapai é advogado especialista em direito imobiliário, vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB/SP, diretor do Brasilcon e sócio do escritório Tapai Advogados.