Você investe, mas ainda não sabe por quê

Existe uma pergunta simples que a maioria das pessoas nunca se fez antes de começar a investir: para quê?

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Parece óbvio demais para ser levado a sério. Mas é exatamente aí que mora um dos erros mais comuns entre quem já deu os primeiros passos no mundo financeiro. Não estamos falando de quem nunca investiu. Estamos falando de quem já tem aplicações, já acompanha o saldo todo mês, já sabe a diferença entre renda fixa e variável, mas ainda não consegue responder com clareza quando vai precisar daquele dinheiro e para quê.

Certa vez, durante uma reunião de assessoria, um cliente apresentou uma carteira com títulos de renda fixa de curto prazo, ações de empresas brasileiras e um fundo imobiliário. Tudo aplicado ao mesmo tempo, sem separação de propósito. Quando a pergunta foi feita, ele ficou em silêncio por alguns segundos. Depois respondeu: “Não sei. Achei que estava fazendo a coisa certa e buscando os títulos mais atrativos.” Ele estava movimentando dinheiro. Mas não estava chegando a lugar nenhum.

Em seu livro A Psicologia Financeira, Morgan Housel escreve que o maior obstáculo nas finanças pessoais não é a falta de conhecimento técnico, mas o comportamento. E um dos comportamentos mais negligenciados é justamente esse, agir sem saber o motivo. Housel lembra que pessoas diferentes têm objetivos completamente diferentes, e que comparar estratégias sem entender os propósitos por trás delas é um erro que leva muita gente a tomar decisões equivocadas ao copiar o que os outros fazem.

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Investir sem um objetivo definido é como planejar uma viagem sem escolher o destino. Você pode até estar no carro, com o tanque cheio e o mapa na mão. Mas enquanto não souber para onde vai, qualquer estrada parece igualmente válida, e nenhuma vai te levar onde você precisa chegar.

O problema prático disso aparece na hora errada. Sem um objetivo claro, o investidor mistura dinheiro que precisará em seis meses com dinheiro que só vai usar em dez anos. Quando o mercado oscila ou quando uma emergência aparece, ele resgata o que não deveria resgatar, no momento em que não deveria resgatar, e perde exatamente o que havia acumulado com paciência.

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A boa notícia é que organizar isso não exige nenhum conhecimento técnico avançado. Exige, antes de tudo, uma conversa honesta consigo mesmo. Uma forma simples de começar é dividir os objetivos em três horizontes de tempo. O primeiro é o curto prazo, que cobre tudo o que pode ser necessário nos próximos dois anos, por exemplo a reserva de emergência, uma viagem planejada, a troca do carro, o conserto da casa. O dinheiro destinado a isso precisa estar em um lugar seguro e acessível, onde você consiga chegar rápido sem depender do humor do mercado.

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O segundo é o médio prazo, entre dois e dez anos, onde entram os projetos de vida com data prevista, a entrada de um imóvel, a abertura de um negócio, a faculdade dos filhos. Aqui já é possível aceitar um pouco mais de variação em busca de um retorno melhor, desde que o prazo esteja bem definido.

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O terceiro é o longo prazo, que representa tudo aquilo que você está construindo para o futuro mais distante, como a independência financeira ou uma aposentadoria tranquila. Esse dinheiro tem tempo para crescer, atravessar períodos difíceis e se recuperar. Por isso, pode ser alocado de forma diferente dos outros dois.

A ideia é que acumular riqueza de forma consistente exige clareza sobre o que você está tentando construir e por quanto tempo está disposto a esperar. Para Housel, a paciência não é uma virtude abstrata. É uma consequência direta de saber exatamente o que se está esperando acontecer.

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O exercício que propomos aqui é direto: antes de olhar para qualquer aplicação, pegue um papel ou abra uma nota no celular e escreva três colunas. Na primeira, liste o que você quer conquistar em até dois anos. Na segunda, o que planeja para os próximos dez. Na terceira, o que deseja construir para além disso. Depois olhe para o que você tem investido hoje e pergunte se cada real está no lugar certo para cada objetivo.

Na maioria das vezes, a resposta vai revelar que o problema não é a falta de dinheiro nem a escolha errada de produtos. O problema é que o dinheiro não tem destino.

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Começa na pergunta certa. E a pergunta certa não é “onde investir?”. É “para quê?” Quando essa resposta estiver clara, tudo o que vem depois fica muito mais fácil de decidir.


CEO da Forttu Investimentos e autor dos livros: “Investe Logo: Compartilhando experiências com o investidor iniciante” e “O Caminho para o Sucesso na Assessoria de Investimentos: Processo, Relacionamento e Intensidade