Tokenização: como o assessor pode transformar complexidade em oportunidade

O papel do assessor evolui, deixando de ser apenas orientador financeiro tradicional para assumir uma função também educativa e de facilitação

Francisco Amarante

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Recentemente participei do lançamento do Brazil Tokenization Report 2025 e fiquei surpreso com o tamanho do público. Empresários, investidores, reguladores e influenciadores lotaram o evento para discutir um tema ainda pouco compreendido.

Cheguei um pouco atrasado no evento, sentei-me na frente e reconheci poucas faces conhecidas, o que me deixou mais confortável. A verdade é que eu entendia pouco sobre tokenização, e ouvir executivos de empresas como Polygon, Ripple e Crown, nomes que nunca havia ouvido, despertou em mim uma mistura de ansiedade e curiosidade.

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Tokenização é o processo de converter direitos sobre um ativo real (imóvel, debênture, obra de arte) ou financeiro (fundo, crediário) em unidades digitais, ou Tokens, que residem em uma infraestrutura de registro digital, como blockchain ou ledger distribuído. Esses tokens permitem participação fracionada, negociação mais ágil e potencial liquidez ampliada

Saí do evento convencido de que estamos vivendo uma nova onda tecnológica e que precisamos estar preparados. Nos últimos anos, o mercado financeiro brasileiro passou por uma verdadeira revolução digital. Pix, Open Finance, ativos digitais e fundos tokenizados deixaram de ser tendências distantes e se tornaram parte concreta do dia a dia das instituições financeiras. Em 2025, esse movimento atinge um novo patamar com a consolidação do mercado de tokenização de ativos.

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O papel do assessor de investimentos

Para o assessor, compreender a tokenização é transformar complexidade em oportunidade. Isso exige capacitação técnica, acompanhamento constante da evolução regulatória e domínio dos casos de uso que já estão surgindo no Brasil. O tema abre portas para novas classes de ativos, maior liquidez e personalização de portfólios, mas também demanda que o profissional eduque o cliente, apresentando benefícios e riscos com clareza. Nesse contexto, o assessor passa a atuar como ponte entre o investidor e esse novo mercado.

O impacto da tokenização na atividade do assessor é profundo. Não basta conhecer o conceito — é essencial entender sua aplicação prática, suas implicações regulatórias e a forma como esse mercado está sendo estruturado. A tokenização expande as oportunidades de diversificação, dá acesso a ativos antes restritos e pode trazer liquidez diferenciada. Ao mesmo tempo, exige rigor na análise de riscos, incluindo possíveis limitações de liquidez, incertezas tributárias e desafios de interoperabilidade tecnológica.

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O papel do assessor evolui, deixando de ser apenas orientador financeiro tradicional para assumir uma função também educativa e de facilitação. Cabe a ele traduzir essa fronteira emergente dos investimentos, oferecendo entendimento, segurança e direcionamento estratégico para que o cliente navegue esse novo ecossistema com consciência e preparo.

A regulação, antes vista como entrave, deixa de ser o foco principal. O desafio agora é educação, engajamento o institucional e padronização.

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Cuidados e riscos

Para o assessor

Para o investidor final

Apesar de muitos confundirem tokens com criptoativos, há diferenças importantes. Criptoativos geralmente não possuem lastro em ativos reais, enquanto tokens de ativos reais têm suporte jurídico, contratos e garantias. Essa distinção é crucial para que o assessor de investimentos consiga explicar ao cliente que a tokenização representa investimentos concretos, e não apenas ativos digitais especulativos.

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Token vs Cripto: qual a diferença?

A ambiguidade entre os dois impede que muitos investidores vejam a tokenização como investimento em ativos reais — e esse é o ponto que o assessor precisa esclarecer.

Números do mercado de Tokenização

Globalmente, o mercado de ativos tokenizados era estimado em cerca de 865 bilhões de dólares em 2024, com projeção de alcançar 1,24 trilhão em 2025, de acordo com dados do Brazil Tokenization Report 2025. Até 2030, alguns relatórios indicam que esse valor pode ultrapassar 10 trilhões de dólares. As categorias que mais impulsionam esse crescimento são os ativos do mundo real, como imóveis, crédito privado, debêntures e arte.

O relatório indica que o Brasil atingiu um ponto de inflexão: a tokenização não é mais um experimento, mas uma realidade em expansão.

Liquidez ainda é um desafio: muitos tokens existem, mas poucos são negociados ativamente no secundário.

Dimensões

Convergência

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Vetores tecnológicos e de mercado

Casos de uso

Tipos de tokens

Desafios

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Francisco Amarante

Superintendente da ABAI (Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos)