Por que reconhecer a favela como ambiente de negócios é urgente 

Dados do Instituto Data Favela mostram que as periferias brasileiras movimentam cerca de R$ 300 bilhões por ano em renda própria, volume econômico superior ao consumo de 22 estados brasileiros

Proteção em Pauta

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Gê Coelho é Líder de Relações Institucionais da F Seguros (Divulgação)
Gê Coelho é Líder de Relações Institucionais da F Seguros (Divulgação)

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Por Gê Coelho*

Para entender a lógica de negócios das favelas, é preciso, antes de qualquer coisa, reconhecer esse território como centro. Durante muito tempo, o Brasil se acostumou a olhar para a favela a partir da ausência: do Estado, da infraestrutura, da segurança e das oportunidades.

Tudo isso existe, é sistêmico e precisa ser enfrentado. Entretanto, enquanto a favela for lida essencialmente pela falta, perde-se de vista uma das economias mais vivas, criativas e estratégicas do Brasil.

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Segundo dados do Instituto Data Favela, as periferias brasileiras movimentam cerca de R$ 300 bilhões por ano em renda própria. É um volume econômico superior ao consumo de 22 estados brasileiros. O Censo 2022 do IBGE também mostra a dimensão desses territórios: são 12.348 favelas e comunidades urbanas no país, onde vivem quase 16,4 milhões de pessoas. 

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É a partir dessa compreensão que desenvolvi o conceito de favelismo. O favelismo é uma teoria política, econômica e social que reconhece a favela como sujeito histórico, coletivo e ativo na produção de conhecimento, cultura, renda e transformação social.

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Embora eu esteja sistematizando esse conceito na academia, ele nasce muito antes de mim. Ele vem dos quilombos, das redes de solidariedade, das mães que sustentam famílias inteiras, dos comerciantes locais, dos comunicadores populares, dos entregadores, dos artistas, dos empreendedores e de todos aqueles que fizeram da sobrevivência uma forma de inteligência coletiva.

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O favelismo é, portanto, uma forma de ler o mundo a partir da favela e, principalmente, com a favela. É nesse ponto que iniciativas como a Favela Seguros, empresa do Grupo MAG criada em parceria com a Favela Holding e a Cufa, tornam-se tão importantes. O projeto parte de uma lógica que constrói um modelo de proteção financeira a partir do conhecimento do próprio território.

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Essa diferença é fundamental e está entre os pontos mais relevantes da iniciativa. O Favela Seguros entende os favelados como especialistas de seus territórios e os capacita para atuar em uma rede sistematizada de proteção financeira.

Os dados de empreendedorismo reforçam esse caminho. Levantamentos do Data Favela já apontaram que quase 40% dos moradores de favelas do Rio de Janeiro têm um negócio próprio; para 23%, essa é a principal fonte de renda. Isso confirma algo que quem vive a favela já sabe: existe um fluxo econômico interno, construído por pessoas faveladas para pessoas faveladas. A renda circula no território e o comércio responde às necessidades locais.

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Por isso, é indiscutível que a favela já produz riqueza. Projetos inclusivos são modelos de negócio sustentáveis, capazes de unir retorno econômico e impacto social. Quando o mercado reconhece a favela como parceira estratégica, aproxima-se de uma inteligência econômica que sempre existiu, mas que foi, por muito tempo, subestimada.

*Gê Coelho é líder de Relações Institucionais da F Seguros

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