Meta no Excel não basta: como testar o risco do seu plano comercial

Um plano pode ser matematicamente suficiente e ainda concentrar riscos demais em poucas ações ou depender de uma capacidade de execução que o time não tem

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Na minha última coluna, propus um exercício: verificar se a soma das ações comerciais planejadas é matematicamente capaz de produzir a meta desejada.

Agora quero acrescentar uma camada.

Porque seu plano pode fechar perfeitamente na matemática e, ainda assim, ser uma estratégia ruim.

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Não basta perguntar se uma ação consegue entregar o resultado. É preciso avaliar o risco de depender dela para entregar o resultado.

Vamos supor que seu evento entregue a meta

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Imagine que um escritório precise captar R$ 20 milhões e a equipe planeje um grande evento.

Fazemos a engenharia reversa: número de convidados, presença esperada, reuniões posteriores, conversão histórica e ticket médio.

A matemática fecha. O evento, sozinho, poderia produzir os R$ 20 milhões.

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Excelente?

Não necessariamente.

E se a adesão for menor que a prevista? E se menos participantes aceitarem uma reunião? E se a conversão cair? E se o dinheiro demorar mais para entrar?

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De repente, percebemos que possibilidade matemática e qualidade estratégica são coisas diferentes.

Você faria isso com a carteira do seu cliente?

Você provavelmente não recomendaria a um cliente concentrar todo o patrimônio em um único ativo apenas porque a expectativa de retorno é excelente.

Então por que concentrar toda a expectativa de crescimento do escritório em uma única iniciativa comercial?

Se praticamente toda a meta depende de um evento, uma parceria, um cliente, um canal ou uma campanha, talvez o problema não esteja na expectativa de resultado.

Está na concentração do risco de execução.

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Um plano mais robusto pode combinar diferentes alavancas: novos clientes via prospecção, indicações da base, desenvolvimento da carteira atual, eventos, parcerias e ações específicas de relacionamento.

Isso não significa sair adicionando iniciativas.

Cada ação precisa ter uma contribuição esperada para o resultado e uma razão clara para existir.

O objetivo não é fazer mais. É construir um plano menos vulnerável.

E existe outro risco: planejar algo que o time não consegue executar

Seu plano pode fechar matematicamente e estar razoavelmente diversificado.

Mas o time consegue executá-lo?

Imagine que os cálculos indiquem que cada assessor precisa realizar determinado número de abordagens, primeiras reuniões, pedidos de indicação e reuniões com a base por semana.

Perfeito no Excel. Agora abra a agenda.

Existe espaço real? Os responsáveis estão definidos? As listas estão disponíveis? Os rituais de acompanhamento existem? O esforço previsto cabe na capacidade operacional do time?

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Essa distinção é fundamental:

Esforço necessário não é necessariamente esforço executável.

Um plano que ignora capacidade de execução pode ser matematicamente impecável e operacionalmente impossível.

Planejamento também é gestão de risco

Quando falamos em gestão comercial, normalmente pensamos em meta, produtividade, conversão e resultado.

Eu acrescentaria outra palavra: risco.

Quão dependente seu resultado está de uma única ação? Quais premissas precisam se confirmar para o plano funcionar? O que acontece se a conversão ficar abaixo do esperado? Quanto do resultado depende de variáveis que seu time realmente controla?

Planejar não significa eliminar incerteza. Significa enxergá-la antes que ela apareça no resultado.

Faça um segundo teste

Na coluna anterior, a pergunta era:

As ações planejadas são matematicamente suficientes para produzir minha meta?

Agora acrescente outra:

Se uma das principais premissas do meu plano falhar, ainda tenho caminhos suficientes para chegar ao resultado?

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Se a resposta for não, talvez sua matemática esteja certa, mas sua estratégia ainda esteja frágil.

No Método O Mínimo Esforço®, direcionar melhor o esforço também significa entender onde estamos colocando nossa energia, quanto resultado esperamos dela e quão dependentes estamos de uma única aposta.

Porque um bom plano comercial não é apenas aquele que mostra como podemos chegar à meta.

É aquele que continua fazendo sentido quando a realidade não acontece exatamente como planejamos.


É especialista em vendas, assessoria de investimentos, atua como mentora, palestrante e é autora do livro “O Mínimo Esforço: o método de vendas que me levou à posição de sócia da XP Investimentos”.