“Liberation Day”: A quarta-feira mais aguardada (e temida) pelos mercados

Anúncio de Trump pode redesenhar o comércio global. Correções, fuga de techs e corrida por proteção já antecipam o clima de guerra

Henrique Esteter

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2 de abril. A quarta-feira mais aguardada do ano para os mercados financeiros.

Tudo gira em torno disso — e ninguém sabe exatamente o que esperar. Donald Trump batizou o dia de Liberation Day (“Dia da Libertação”) e deve anunciar, às 17h no horário de Brasília (4PM em Washington), um novo e agressivo pacote de tarifas.

O plano? Impor tarifas a todos os países que tributam produtos americanos. E mais: uma tarifa de 25% sobre importações de automóveis entra em vigor já na quinta-feira, 3 de abril.

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Segundo a imprensa americana, seus assessores consideram um pacote ainda mais amplo: tarifas de 20% sobre praticamente todos os produtos importados pelos Estados Unidos.
Não é apenas retórica — trata-se de um possível redesenho das bases do comércio global.

É definitivamente a Guerra Comercial 2.0.

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Os números impressionam:

Mas, até agora, tudo permanece como especulação. E é exatamente essa incerteza que está alimentando o medo nos mercados globais.

Na Ásia, o pânico chegou primeiro:

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O índice Nikkei caiu mais de 4% na primeira sessão da semana — e voltou a negociar no mesmo patamar de 1989. Trinta e cinco anos de valorização (ou recuperação), apagados em poucas semanas.

Nos Estados Unidos:

No mercado de crédito, os sinais também começaram a piscar. O CDS — Credit Default Swap — é o preço que investidores pagam para se proteger contra um eventual calote de empresas. Quando o CDS sobe, significa que o risco percebido está aumentando.

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E o que vimos nas últimas semanas foi um salto relevante:

Ou seja, até mesmo empresas com grau de investimento estão custando mais para serem seguradas. O mercado está, literalmente, pagando mais caro para dormir tranquilo.

O ambiente macro também piorou:

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Com esse cenário no radar, os fluxos migraram rapidamente para ativos de proteção.

O ouro subiu 19% apenas no primeiro trimestre — a maior alta desde 1986 — e atualmente negocia em sua máxima nominal histórica. O movimento é clássico: quando o risco sobe, o ouro brilha. E os bancos centrais não param de comprar.

Até nas criptomoedas, o padrão se repetiu:

Ainda não é possível chamar de pânico — mas o mercado claramente está em modo de recalibragem.

E agora, o que se busca é apenas uma coisa: clareza.

Se o pacote de tarifas for mais suave do que o esperado, há espaço para alívio. Parte do estresse pode se dissipar, e ativos de risco podem voltar a andar. Pelo menos, será possível fazer conta.

Mas se vier pesado demais… num ambiente de juros elevados, crescimento fraco e crédito mais caro, a recessão que hoje está no preço pode deixar de ser apenas uma aposta — e se tornar realidade.

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Henrique Esteter

Henrique Esteter é coordenador multiplataforma do InfoMoney