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2 de abril. A quarta-feira mais aguardada do ano para os mercados financeiros.
Tudo gira em torno disso — e ninguém sabe exatamente o que esperar. Donald Trump batizou o dia de Liberation Day (“Dia da Libertação”) e deve anunciar, às 17h no horário de Brasília (4PM em Washington), um novo e agressivo pacote de tarifas.
O plano? Impor tarifas a todos os países que tributam produtos americanos. E mais: uma tarifa de 25% sobre importações de automóveis entra em vigor já na quinta-feira, 3 de abril.
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Segundo a imprensa americana, seus assessores consideram um pacote ainda mais amplo: tarifas de 20% sobre praticamente todos os produtos importados pelos Estados Unidos.
Não é apenas retórica — trata-se de um possível redesenho das bases do comércio global.
É definitivamente a Guerra Comercial 2.0.
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Os números impressionam:
- Mais de US$ 1,5 trilhão em importações potencialmente afetadas
- Estimativa de arrecadação de até US$ 6 trilhões com as novas tarifas
- E, segundo o governo, parte desse valor poderia ser devolvida à população americana em forma de “rebate”
Mas, até agora, tudo permanece como especulação. E é exatamente essa incerteza que está alimentando o medo nos mercados globais.
Na Ásia, o pânico chegou primeiro:
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O índice Nikkei caiu mais de 4% na primeira sessão da semana — e voltou a negociar no mesmo patamar de 1989. Trinta e cinco anos de valorização (ou recuperação), apagados em poucas semanas.
Nos Estados Unidos:
- O S&P 500 registrou o pior desempenho relativo ao resto do mundo desde 1988 no primeiro trimestre
- O Nasdaq encerrou março com a maior queda mensal desde 2022
- E os hedge funds reduziram a exposição ao setor de tecnologia para 16,5%, o menor nível desde 2020
No mercado de crédito, os sinais também começaram a piscar. O CDS — Credit Default Swap — é o preço que investidores pagam para se proteger contra um eventual calote de empresas. Quando o CDS sobe, significa que o risco percebido está aumentando.
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E o que vimos nas últimas semanas foi um salto relevante:
- O índice de CDS de alto risco (high yield) subiu 377 pontos — maior nível desde agosto de 2024
- O índice de CDS de empresas sólidas (investment grade) saltou 62 pontos — maior avanço em 15 meses
Ou seja, até mesmo empresas com grau de investimento estão custando mais para serem seguradas. O mercado está, literalmente, pagando mais caro para dormir tranquilo.
O ambiente macro também piorou:
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- O Goldman Sachs elevou a probabilidade de recessão nos EUA de 20% para 35%
- No Kalshi, os apostadores enxergam 43% de chance de recessão ainda em 2025
- E o déficit comercial americano já ultrapassa US$ 1,2 trilhão
Com esse cenário no radar, os fluxos migraram rapidamente para ativos de proteção.
O ouro subiu 19% apenas no primeiro trimestre — a maior alta desde 1986 — e atualmente negocia em sua máxima nominal histórica. O movimento é clássico: quando o risco sobe, o ouro brilha. E os bancos centrais não param de comprar.
Até nas criptomoedas, o padrão se repetiu:
- O Bitcoin valorizou 318% nos últimos dois anos e meio.
- O Ethereum, no mesmo período, subiu apenas 36%.
- O par ETH/BTC caiu 75%, sinalizando que, até na incerteza e volatilidade do universo das cripto, o capital buscou segurança, liquidez e reputação.
Ainda não é possível chamar de pânico — mas o mercado claramente está em modo de recalibragem.
E agora, o que se busca é apenas uma coisa: clareza.
Se o pacote de tarifas for mais suave do que o esperado, há espaço para alívio. Parte do estresse pode se dissipar, e ativos de risco podem voltar a andar. Pelo menos, será possível fazer conta.
Mas se vier pesado demais… num ambiente de juros elevados, crescimento fraco e crédito mais caro, a recessão que hoje está no preço pode deixar de ser apenas uma aposta — e se tornar realidade.
