Instituições invadem o metaverso: Nike, Apple, Microsoft e mais disputam espaço no setor

Nas últimas semanas, o mundo cripto e as empresas tradicionais se viram diante de um grande marco com a mudança de nome do Facebook

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“Gradualmente… até que de repente”: a expressão descreve uma percepção comum nos processos de inovação. Empreendedores passam anos desafiando paradigmas tecnológicos, anunciando esporadicamente algumas conquistas incrementais, até que algum grande marco ganha a atenção pública e dá a impressão de que tudo aconteceu muito rápido.

Nas últimas semanas, o mundo cripto e as empresas tradicionais se viram diante de um grande marco, a transição do gigante Facebook para o metaverso, agora com o nome Meta. Mark Zuckerberg anunciou que, agora, sua empresa estará focada na criação de experiências com Realidade Virtual (RV) e Realidade Aumentada (RA) para seus usuários interagirem online como se estivessem reunidos fisicamente.

O público respondeu à altura: poucos dias após a notícia, as buscas por “metaverso” chegaram a crescer 900%, segundo dados do Google Trends, e os criptoativos ligados ao setor valorizaram 151% de acordo com o CoinMarketCap, denotando um senso de urgência típico do varejo.

Reverberações no mundo corporativo

No meio corporativo, a notícia tem pouco de novidade: gigantes de tecnologia, como Nvidia, Tencent, Microsoft e Apple já têm suas próprias iniciativas com RV e RA.

A Apple, em especial, representa bem o aspecto gradual dessa revolução tecnológica. A empresa, percebida como a principal candidata para desbloquear a economia do metaverso, já havia registrado em 2012 um “capacete” com tela para experiências virtuais, tem investido paulatinamente no desenvolvimento de dispositivos e, aparentemente, está muito perto de finalmente lançar um produto do tipo.

Mesmo que não seja a primeira a alcançar adoção em massa com seus dispositivos de RV e RA, especialistas acreditam que a empresa poderá usar sua impressionante expertise no desenvolvimento de usabilidade e marketing de produtos para liderar a nova tendência.

A Epic Games, outra gigante na corrida pelo metaverso, já deu importantes passos no âmbito de software. A empresa está utilizando seu popular jogo Fortnite para promover experiências com RV, tendo alcançado mais de um milhão de espectadores nos shows virtuais do rapper Travis Scott e da cantora pop Ariana Grande.

Outras empresas aproveitaram o momento gerado pela Meta para impulsionarem suas iniciativas. A Nike começou a representar virtualmente seus tênis vendidos como NFTs, para que estes possam ser usados em jogos e outras experiências no Nikeland, metaverso sendo desenvolvido pela marca. No último dia 13 de dezembro, a companhia comprou uma produtora de tênis digitais para acelerar sua jornada no ecossistema.

Já os gêmeos Winklevoss, conhecidos por disputar os direitos de fundadores do Facebook contra Zuckerberg, captaram US$ 400 milhões para sua própria iniciativa. Os empresários, que, até agora, empreendiam com recursos próprios, criticam o modelo de rede social baseado na comercialização de dados dos usuários e prometem um metaverso com “tecnologia que protege os direitos e a dignidade dos indivíduos”.

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No Brasil, uma das maiores instituições financeiras do país anunciou seus projetos no metaverso. Segundo o Banco do Brasil, serão oferecidas experiências virtuais simulando o dia-a-dia das operações do banco, como abastecimento dos caixas eletrônicos e a direção de carros-fortes, e um tour virtual à exposição “Egito Antigo” no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB-RJ).

Reverberações no mundo cripto

No mundo cripto, o anúncio de Zuckerberg trouxe um fôlego impressionante. Com bilhões de dólares sendo investidos em projetos cripto para o metaverso, os sinais de otimismo se viram principalmente na apreciação dos criptoativos relacionados ao mercado de bens virtuais.

Assim como os irmãos Winklevoss, os empreendedores do mundo cripto demonstram preocupação com o desenvolvimento de projetos focados na exploração de dados dos usuários, o que pode impulsionar iniciativas descentralizadas em paralelo com o cenário institucional.

Apreciação dos tokens

A onda de confiança trouxe grande valorização dos projetos relacionados ao metaverso. Como pode ser visto no gráfico abaixo, no dia 25 de novembro, o Metaverse Index (MVI, índice de criptoativos do setor) chegou a registrar 151% de retorno com relação ao dia do anúncio. Nas semanas seguintes, o segmento cedeu à pressão baixista protagonizada pelo Bitcoin – embora mantendo, ainda, retorno superior a 50% ante o dia 28 de outubro.

Gráfico de desemprenho do índice de criptoativos relacionados ao metaverso (fonte: CoinMarketCap)

Nesse contexto, os tokens MANA, GALA e SAND ganharam destaque, com retornos superiores a 450% no período.

Aqui, destaca-se mais uma vez o caráter gradual do surgimento desse ecossistema: Decentraland (MANA) e The Sandbox (SAND) são projetos sendo desenvolvidos desde 2015 e 2017, respectivamente. Enquanto o primeiro já está em fase operacional desde 2017, mas com ainda pouca tração entre os usuários, The Sandbox lançou sua versão alpha no último dia 29 de novembro.

Vendas internas

Ainda mais importante que a apreciação dos tokens, as últimas semanas assistiram a uma onda de investimentos na economia interna dos projetos de metaverso. Essa tendência ficou clara com a valorização de terras virtuais.

No dia 23 de novembro, um terreno no Decentraland foi comprado pelo equivalente a mais de US$ 2,4 milhões pelo Metaverse Group, uma companhia de incorporação de imóveis virtuais. No dia seguinte, um pedaço de terra no Axie Infinity trocou de mãos por US$ 2,3 milhões.

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E o maior movimento ainda estava por vir: após 4 anos de desenvolvimento, a primeira versão do projeto The Sandbox atraiu grande interesse do varejo e de investidores institucionais. Em apenas quatro dias, as vendas internas nesse ecossistema já haviam somado cerca de US$ 86 milhões.

O destaque foi para o valor recorde de US$ 4,3 milhões por um terreno comprado pela Republic Realm, incorporadora virtual que já possui cerca de 2.500 pedaços de terra em 19 mundos virtuais. Em parte do terreno recém-comprado, a empresa planeja construir em parceria com a Atari.

Conclusão

A recente onda de otimismo no metaverso certamente não é a causa da transformação tecnológica que está por vir. Essa virá, sim, graças ao trabalho paulatino de empreendedores e desenvolvedores no setor. Mas, ao atrair tamanho volume de atenção e recursos, esse momento do mercado pode acelerar o surgimento de soluções no setor e a adoção dos usuários.

É de se esperar que, nesse contexto, se intensifique a disputa dos produtores de hardware para navegação no metaverso até um equilíbrio oligopolista – em que tenderiam a se destacar a Apple, a Microsoft e o Google, que já desenvolvem este tipo de solução há anos e têm larga vantagem no paradigma atual dos dispositivos móveis.

Já na indústria de software, é provável que haja mais espaço para a competição – exceto, talvez, no que se refere aos sistemas operacionais e tecnologias de base para o paradigma. Aqui, poderão disputar não só as mais conhecidas empresas de tecnologia, como também aquelas dos ramos de jogos virtuais e os projetos descentralizados.

Para o sucesso das iniciativas cripto no setor é especialmente importante a capacidade de integração com as soluções de base, como dispositivos, sistemas operacionais e protocolos de comunicação. O segmento poderá ser alavancado pelo amadurecimento do mundo cripto, com maior aceitação e colaboração das instituições, pelo poder das comunidades e pelo reconhecimento da importância da privacidade de dados dos usuários.

Hashdex

Maior gestora de criptoativos da América Latina, já desenvolveu diversos produtos de investimento regulados. É pioneira no setor, tendo lançado o primeiro ETF de cripto da B3, a bolsa brasileira, e o primeiro ETF de índice de cripto do mundo, o HASH11, em parceria com a Nasdaq.