ETFs, fee fixo e o papel do assessor: o que a prática revela sobre o futuro da indústria no Brasil

A indústria global de ETFs já supera US$ 12 trilhões em ativos.

Francisco Amarante

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A indústria de ETFs vive, globalmente, um dos seus momentos mais maduros — e,
paradoxalmente, ainda é vista como emergente no Brasil. Segundo o Relatório Anual de
ETFs da B3 – 2025, o mercado brasileiro encerrou o ano com mais de 100 ETFs
listados, além de centenas de BDRs de ETFs internacionais, oferecendo exposição a
praticamente todas as classes de ativos, geografias e estilos de investimento.

O patrimônio sob gestão atingiu a casa de R$ 90 bilhões, com crescimento consistente ano após
ano, impulsionado principalmente por ETFs de renda fixa, índices internacionais e
estratégias temáticas. Hoje são pelo menos 16 gestoras especializadas em ETFs, que já
foram distribuídos para mais de 800 mil investidores.

No mundo, o contraste ajuda a dimensionar o potencial. A indústria global de ETFs já
supera US$ 12 trilhões em ativos, com mais de 10 mil produtos listados, distribuídos
por dezenas de mercados. Em economias mais maduras, ETFs deixaram de ser
instrumentos “alternativos” e passaram a ocupar o centro das estratégias de alocação,
tanto para investidores institucionais quanto para pessoas físicas.

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É nesse contexto que a pesquisa com escritórios de assessoria de investimentos — cujos
resultados analisamos a seguir — oferece um retrato honesto do estágio atual do mercado
brasileiro: um setor que reconhece o valor dos ETFs, mas ainda enfrenta barreiras
estruturais, culturais e de modelo de remuneração para capturar todo o seu potencial.

O que a pesquisa revela: adesão existe, mas ainda é superficial

A pesquisa contou com 80 escritórios, distribuídos entre as principais plataformas do país
— com forte presença de XP, BTG Pactual, Safra, Genial e Necton — e com AUC
variando de menos de R$ 100 milhões a mais de R$ 1 bilhão.

O primeiro dado relevante é claro: a ampla maioria dos escritórios afirma oferecer
ETFs aos clientes. No entanto, quando se observa a profundidade desse uso, surgem
nuances importantes.

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Escritórios que oferecem ETFs

Apesar da alta taxa de oferta, os próprios respondentes indicam que, na maior parte dos
casos, os ETFs são utilizados de forma tática, pontual ou complementar —
principalmente em exposições a:

Poucos escritórios declaram usar ETFs como pilar estrutural do asset allocation.

As principais barreiras: o problema não é o produto

Quando questionados sobre os motivos para não oferecer ETFs ou para não ampliar
seu uso, os escritórios apontam barreiras recorrentes — e reveladoras.

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Principais barreiras ao uso de ETFs

O dado mais simbólico é que “baixa remuneração” aparece de forma consistente entre
as respostas. Isso evidencia que o entrave não está na eficiência, liquidez ou transparência
dos ETFs — atributos amplamente reconhecidos — mas sim no modelo de incentivos
da indústria.

Fee fixo: o ponto de inflexão

A pesquisa mostra que o mercado está em transição. Embora a comissão ainda seja
predominante, cresce o número de escritórios que:

Modelo de remuneração dos escritórios

ETFs e fee fixo: uma relação direta

Os dados mostram uma correlação evidente:

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Esse dado dialoga diretamente com os estudos SPIVA (S&P Indices Versus Active), que
mostram que, no longo prazo, a maioria dos gestores ativos não supera seus
benchmarks líquidos de custos. ETFs, por definição, entregam:

O papel do assessor: educação, curadoria e alinhamento

A pesquisa reforça um ponto central: ETFs não substituem o assessor. Pelo contrário.
Eles elevam o papel do profissional, que passa a atuar como:

Metodologia, disclaimers e limitações

Esta pesquisa foi realizada a partir de questionário estruturado, respondido por
escritórios de assessoria de investimentos de diferentes portes, plataformas e modelos de
negócio. Trata-se de uma amostra não probabilística, baseada na adesão voluntária dos
participantes.

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Os resultados:

Conclusão: o futuro já começou — mas ainda não terminou

A pesquisa mostra um mercado em transição. Os ETFs já são reconhecidos, aceitos e
utilizados, mas ainda subaproveitados. O principal freio não é técnico, regulatório ou
educacional — é econômico e cultural.

O avanço do fee fixo, da consultoria de valores mobiliários e da agenda de
transparência regulatória tende a acelerar esse movimento. Quando incentivos se
alinham, o ETF deixa de ser exceção e passa a ser regra.
O investidor já entendeu.
O produto está pronto.
Agora, o modelo de distribuição está finalmente começando a acompanhar.

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Francisco Amarante

Superintendente da ABAI (Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos)