Eleições: resultado terá influência na disputa da Mesa Diretora da Câmara

Após o desempenho nas eleições municipais, o PSD ganha um peso maior nas negociações relacionadas à Mesa Diretora

Wagner Parente

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Publicidade

O resultado do 2º turno das eleições municipais consolida ainda mais o bom desempenho dos partidos de centro-direita e de direita, com destaque para PSD, MDB, PL, União Brasil e Republicanos. No campo progressista, o partido com o melhor desempenho foi o PSB, que conquistou 309 prefeituras. O PT, liderado pelo presidente Lula, aumentou o número de prefeituras e elegeu um prefeito em uma capital — Evandro Leitão, em Fortaleza — representando um avanço em relação às eleições municipais de 2020.

A derrota mais significativa para Lula ocorreu em São Paulo, a cidade com o maior número de eleitores do país, que tem grande peso no cenário político nacional. Lula venceu na capital paulista nas eleições de 2022, mas não houve transferência total de seus votos para Guilherme Boulos (PSOL). Entre as hipóteses para essa situação estão a alta rejeição a Boulos, que carrega a imagem de radical, o fato de Lula ter mais força do que o campo da esquerda e a resistência de eleitores moderados a Jair Bolsonaro (PL) devido à conduta do ex-presidente ao longo de seu mandato.

Antes mesmo do fim das eleições, um sinal de alerta foi acionado no PT. Lula e outros integrantes do partido afirmaram que ele precisa de uma reestruturação para atender aos anseios de trabalhadores autônomos. O partido tem dois anos para se reorganizar antes das eleições de 2026, quando, provavelmente, Lula buscará a reeleição. O adversário de Lula ainda é uma incógnita, mas é certo que, para sua candidatura ser competitiva, será necessário apoio de partidos de centro.

Continua depois da publicidade

O principal partido de centro atualmente é o PSD, que manteve o maior número de prefeituras, o que deve influenciar as negociações para a sucessão de Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara dos Deputados. O PSD tem como pré-candidato o deputado Antonio Brito (PSD-BA), que não está entre os mais cotados para vencer a disputa. No entanto, após o desempenho nas eleições municipais, o PSD ganha um peso maior nas negociações relacionadas à Mesa Diretora da Câmara.

O nome com mais força para suceder Arthur Lira é o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), cujo partido, Republicanos, também teve um bom desempenho ao conquistar mais de 400 prefeituras. Motta tem se articulado para conseguir o apoio de bancadas estaduais e conta com a simpatia de Lira, embora não tenha apoio oficial do presidente da Câmara.

O apoio do PT é considerado fundamental para a conquista da presidência da Câmara, tanto pela bancada de 80 deputados da federação PT/PCdoB/PV quanto pela influência do Executivo. Em termos de governabilidade, o ideal é que o PT apoie o candidato vencedor para evitar ressentimentos políticos do presidente eleito. A escolha também representa um movimento estratégico para as negociações de alianças para as eleições de 2026. O cenário ideal seria compatibilizar essas duas frentes; caso contrário, caberá ao PT fazer escolhas.

Continua depois da publicidade

No PL, que possui a maior bancada da Câmara (92 deputados), a ordem do presidente Valdemar Costa Neto é usar a eleição da Mesa Diretora como instrumento de pressão para que o Congresso discuta a anistia de Jair Bolsonaro. O projeto de lei que aborda a anistia dos envolvidos nos atentados de 8 de janeiro não trata da situação de Bolsonaro, que continua inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Wagner Parente

CEO da BMJ Consultores Associados, também faz atuações consultivas em Relações Governamentais e Comércio Exterior, também é conselheiro do Instituto Brasileiro de Comércio e Investimentos Internacionais (IBCI). Academicamente, é co-idealizador do curso de Relações Governamentais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo. É advogado, Mestre em Direito das Relações Econômicas Internacionais pela PUC-SP e possui MBA em Gestão de Negócios.