Deixar ir: o que a maturidade profissional nos ensina sobre confiança

Reconhecer o que está além do nosso alcance é o primeiro passo para uma vida profissional madura

Giovana Pacini

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Marcus Spiske via Unsplash
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No ambiente corporativo, fala-se muito sobre o desafio de liderar. Engajar pessoas, inspirar movimentos, construir cultura. Porém, pouco se fala sobre o outro lado dessa relação: ser liderado.

Porque, de alguma forma, até mesmo quem é seu próprio chefe é liderado por algo. Seja por um propósito, por metas, por circunstâncias ou pela própria consciência. Sempre haverá fatores, pessoas ou contextos que nos conduzem, e parte da maturidade profissional é reconhecer quando é hora de se deixar guiar.

A relação entre líderes e liderados é histórica, mas, nos tempos atuais, em que a velocidade das mudanças ultrapassa nossa capacidade de antecipá-las, ambos os papéis exigem comunicação fluida, resiliência emocional e clareza estratégica.

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Mais do que isso, exigem aceitar a complexidade das relações humanas e compreender que nem tudo estará sob nosso controle. E nunca estará.

É nesse ponto que a teoria do “Let Them”, de Mel Robbins, autora especialista em mudança de comportamento, ganha relevância. Traduzida livremente como “deixa pra lá”, a ideia parece simples à primeira vista: aceite o que não depende de você. Um exercício constante de abrir mão de controlar pessoas, resultados ou expectativas alheias e concentrar energia no que está ao seu alcance.

Se um colega escolhe um caminho diferente, deixe. Se a liderança global define uma estratégia com a qual você não concorda, aceite. Se alguém não reconhece seu esforço, siga em frente.

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E não por indiferença, mas por foco. Robbins nos lembra de uma verdade que líderes experientes conhecem bem: energia desperdiçada tentando controlar o incontrolável é energia que deixa de ser aplicada naquilo que realmente pode gerar impacto.

Como afirma Martin Seligman, referência em psicologia positiva: “virar a página está sob seu controle voluntário; os músculos que alteram o tamanho da pupila não estão”. Reconhecer o que está além do nosso alcance é o primeiro passo para uma vida profissional madura.

Liderar e ser liderado exigem a mesma competência: discernimento. Saber quando agir e quando aceitar. Quando influenciar e quando seguir. Quando insistir e quando redirecionar esforços. Ser liderado também é um ato de confiança de acreditar na visão do outro, permitir-se aprender e contribuir sem precisar ter o controle de todas as variáveis.

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Robert Hogan, especialista em psicologia organizacional, lembra que a melhor maneira de medir a liderança nas corporações é em termos de desempenho da equipe ou unidade da qual o líder está encarregado. Isso reforça que liderança é sobre influenciar o que está sob nosso controle e deixar de lado o que não podemos molda. Assim como o liderado, que fortalece a relação ao transmitir confiança e colaborar com propósito.

Muitas vezes nos perguntamos o que, de fato, nos torna maduros profissionalmente. A resposta nem sempre está no tempo de carreira, nas conquistas ou nos títulos. Maturidade é entender que controle não é sinônimo de acerto. É a capacidade de aceitar, redirecionar e seguir com propósito.

É navegar com excelência dentro daquilo que podemos mover e ter serenidade diante do que não podemos. Como destaca Annie Duke, especialista em tomada de decisão: “em muitas de nossas decisões, não estamos apostando contra outra pessoa. Estamos apostando contra todas as versões futuras de nós mesmos que não estamos escolhendo.”

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E talvez essa seja uma lição que vá muito além da vida profissional.

A maturidade de lidar com o que não controlamos é o que nos permite viver com mais leveza, construir relações mais genuínas e exercer uma liderança mais humana dentro e fora do trabalho. Então, o que você vai deixar pra lá hoje?

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Giovana Pacini

Giovana Pacini é Country Manager da Merz Aesthetics®️ Brasil desde 2020. Com mais de 20 anos de experiência na indústria farmacêutica, reconhecida por sua liderança humanizada e orientada para resultados, Giovana promove uma cultura de equidade de gênero e foca na entrega de resultados sustentáveis.