As empresas não estão sofrendo com a falta de estratégia. Estão sofrendo de excesso dela

Com mais dados, planejamento e ferramentas à disposição, o desafio das empresas deixou de ser definir o que fazer e passou a ser transformar decisões em execução

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Nos últimos anos, participei de dezenas de reuniões de planejamento estratégico, em diferentes setores.

E percebi um padrão que me chama atenção: quase ninguém mais chega a essas reuniões sem saber o que precisa fazer. As empresas sabem qual é a prioridade, sabem onde querem chegar, sabem até o caminho. O problema não é decidir o que fazer. É fazer.

Um levantamento recente da McKinsey, feito com mais de 10 mil executivos em 15 países, traz um número que resume bem esse momento: 72% dos líderes afirmam que suas organizações não conseguem executar os planos que elas mesmas aprovam.

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Não é um problema de qualidade de estratégia, é um problema de tradução entre decisão e ação.

Vivemos a era da estratégia fácil. Nunca tivemos tanto acesso a dados, benchmarks, consultorias, frameworks prontos e ferramentas de planejamento. Em poucas horas, qualquer time de liderança consegue desenhar um plano robusto, com metas claras e cronograma definido.

O que mudou é que a execução se tornou o gargalo real. E ela trava não por falta de competência técnica, mas por excesso de estratégia, de reunião, de prioridade e de ruído.

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O excesso que trava

Repare como isso aparece no dia a dia: reuniões que existem para decidir o que discutir em outra reunião. Times inteiros dedicando parte relevante da semana para alinhar informação, não para produzir resultados. Quando cada decisão precisa passar por múltiplas camadas de validação, a energia que deveria ir para execução se dissolve em processo.

Some a isso a velocidade com que o cenário muda. O plano que fazia sentido no início do trimestre pode estar desatualizado na terceira semana.

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Só que boa parte das empresas ainda opera com estruturas de decisão pensadas para um mundo mais estável. O resultado é uma dissonância constante entre o ritmo do mercado e o ritmo da organização.

Prioridade não é uma lista, é uma escolha

Um dos sintomas mais claros da crise de execução é a dificuldade de priorização real. Toda empresa hoje tem uma lista de prioridades, e o problema é que, na prática, essa lista costuma ter oito, dez, doze itens.

E quando tudo é prioridade, nada é. Priorizar de verdade significa dizer não para coisas boas em nome de uma coisa essencial. É uma decisão desconfortável, e talvez seja por isso que tantas lideranças evitam tomá-la com a clareza necessária.

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Isso se conecta diretamente com outro ponto: o desalinhamento entre áreas. Não é raro que marketing, operações e comercial estejam, cada um, executando a própria versão da estratégia — todas bem-intencionadas, todas coerentes internamente, mas puxando em direções levemente diferentes.

Com o tempo, essa pequena divergência se acumula e vira um desvio grande. A execução eficaz depende menos de cada área ser excelente isoladamente e mais de todas remarem, de fato, na mesma direção.

Feito é melhor que perfeito?

Há ainda uma tensão que atravessa tudo isso: velocidade versus perfeição. Empresas que priorizam a perfeição do plano tendem a demorar demais para agir e, quando finalmente agem, o cenário já mudou.

Empresas que priorizam só a velocidade, sem nenhum critério, arriscam executar rápido e errado.

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O equilíbrio está em aceitar que execução é um processo interativo: você avança com o melhor plano possível hoje, aprende com o resultado e ajusta amanhã. Isso exige uma cultura organizacional que tolere erros de percurso, algo que ainda é raro em ambientes corporativos mais tradicionais.

O que realmente separa quem executa bem

Se estratégia deixou de ser o diferencial, o que separa as empresas que entregam resultado das que ficam presas em ciclos intermináveis de planejamento é a capacidade de simplificar.

Reduzir o número de prioridades, de reuniões e de camadas de decisão. Basicamente, diminuir a distância entre quem decide e quem executa.

Não é sobre ter menos ambição. É sobre ter menos ruído entre a ambição e a ação.

As empresas que vão se destacar na próxima década provavelmente não serão as que têm a estratégia mais sofisticada, mas as que conseguem transformar decisão em movimento com mais consistência e menos atrito.

No fim, a pergunta que toda liderança deveria se fazer não é mais “qual é a nossa estratégia?”, mas sim, “o que está, de fato, nos impedindo de executá-la?”.


Giovana Pacini é Country Manager da Merz Aesthetics®️ Brasil desde 2020. Com mais de 20 anos de experiência na indústria farmacêutica, reconhecida por sua liderança humanizada e orientada para resultados, Giovana promove uma cultura de equidade de gênero e foca na entrega de resultados sustentáveis.