Tirando Proveito do Capital Externo

Esse é um assunto a que atribuo grande importância e para desenvolvê-lo basta responder três perguntas simples: O que é o Capital Externo?; Quem precisa dele? e; Como atraí-lo?

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Esse é um assunto a que atribuo grande importância e para desenvolvê-lo basta responder três perguntas simples: O que é o Capital Externo?; Quem precisa dele? e; Como atraí-lo?

O Capital Externo, em sua essência, é o resultado da poupança de pessoas residentes no exterior, é o resultado da operação exitosa de empresas sediadas no exterior, é o saldo positivo do comércio internacional de outras nações, é o resultado conversível em moeda divisionária decorrente das atividades produtivas controladas pelos governos de outros países ou, ainda, a parte utilizável das reservas internacionais acumuladas por qualquer nação. No entanto, por simplificação e para os efeitos práticos do presente tópico, podemos considerar que o Capital Externo seja apenas uma expressão da poupança internacional acumulada por pessoas, empresas e governos.

Quem precisa do Capital Externo? – Todo mundo. Ou pelo menos os países que querem dinamizar as suas economias através do investimento, em busca do aumento da produção e da competitividade, da incorporação de tecnologias mais avançadas e da implantação de itens mais eficientes e seguros de infraestrutura. Em resumo, este é um meio indispensável para o desenvolvimento econômico e social, principalmente em países com baixa taxa de poupança ou de formação de capital interno próprio (como é o nosso caso).

Se esse tipo de recurso é indispensável para o desenvolvimento nacional, como podemos atraí-lo nas quantidades necessárias? Em primeiro lugar, e felizmente, é preciso reconhecer que este é um recurso abundante e relativamente farto. No entanto, por outro lado, o Capital Externo é um recurso extremamente disputado por toda a comunidade internacional de países e, por consequência, passou a ser muito criterioso e seletivo na busca de boas oportunidades de aplicação.

Na realidade, o Brasil vem atraindo uma boa quantidade desses recursos, sendo que a contabilidade nacional registrou, no primeiro semestre deste exercício, a entrada de capitais externos da ordem de US$ 30 bilhões apenas na forma de IED – Investimento Estrangeiro Direto. Esse fluxo representou um aumento de quase 4% em relação ao primeiro semestre de 2012 e constituiu-se em elemento fundamental para o equilíbrio das nossas contas externas nessa fase de mau desempenho. Esse é um resultado que pôde ser alcançado por conta de algumas boas credenciais que o Brasil tem apresentado nessa competição internacional por capitais externos: estrutura política estabilizada e democrática, a inflação sob razoável controle, mercado interno de grande dimensão e em processo de crescimento, bom nível de exportação de commodities estratégicas, etc.

No entanto, essas boas credenciais parecem não ser suficientes para sustentar a nossa atratividade no futuro imediato. O Capital Externo está cada vez mais exigente quanto ao ambiente econômico, jurídico e institucional dos países candidatos a recebê-lo. Há uma grande aversão dos investidores internacionais para com a insegurança jurídica dos contratos e do ambiente econômico em geral, resultante de sucessivas mudanças legais e regulatórias e das intervenções frequentes do Estado na economia. Além disso, há uma explícita condenação, por parte dos gestores externos desses capitais, da baixa eficiência nacional, do nosso modelo excessivamente burocrático e hostil aos negócios e dos efeitos do Custo Brasil (principalmente os decorrentes da infraestrutura precária), que acabam por aumentar todos os custos de produção, prejudicando a nossa competitividade internacional. Precisamos nos aplicar na correção desses fatores, para retomarmos a nossa trajetória de crescimento e prosperidade, tirando proveito do melhor catalizador disponível: o Capital Externo. 

Rubens Menin