Seu Apartamento Ideal – Tamanho

Esse fator também merece um exame criterioso por parte dos compradores potenciais, para que a escolha seja adequada, conveniente e satisfatória. Isso porque, quanto maior a área construída de um imóvel, maior será o seu preço de venda, se as demais características forem semelhantes (localização, acabamento, etc.).

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Depois da localização, de que tratei no tópico precedente deste blog, o tamanho passa a ser o fator mais importante na escolha certa do apartamento a ser adquirido. Esse fator também merece um exame criterioso por parte dos compradores potenciais, para que a escolha seja adequada, conveniente e satisfatória. Isso porque, quanto maior a área construída de um imóvel, maior será o seu preço de venda, se as demais características forem semelhantes (localização, acabamento, etc.).

Na realidade, o padrão idealizado pelos compradores tem sofrido uma mudança muito rápida em função das novas características dos moradores (famílias menos numerosas, incluindo solteiros, e novos hábitos de vida, agregando maior exigência pelos espaços comuns e por vagas de garagem). Mas, muitos compradores ainda ficam influenciados pelos antigos padrões de arquitetura e de uso das residências. E acabam pagando mais caro por uma moradia que, além do mais, acaba não sendo satisfatória para os hábitos atuais. Isso faz muita diferença na escolha.

Atualmente, a grande maioria dos lançamentos de novos prédios de apartamentos inclui apenas unidades com três e dois quartos, sendo que esse último tipo representa mais de 80% dos imóveis ofertados. Praticamente não se vê mais apartamentos de quatro quartos, que era o sonho de consumo daqueles que optavam por uma moradia espaçosa. A oferta desse tipo de habitação está sendo rapidamente substituída por apartamentos de três quartos de tamanho maior (entre 70m2 e 150m2) com a apreciada suíte de casal, que deve contar com um banheiro mais espaçoso e confortável e com um bom closet. Já os apartamentos de dois quartos costumam ser projetados com área construída variando entre 45m2 e 70m2. Esses padrões arquitetônicos se ajustam aos novos hábitos de vida e às características das novas famílias, que evoluíram de 3,8 pessoas por moradia na década de 1980 para apenas 1,8 pessoas por unidade nos tempos atuais e que não admitem mais espaço desnecessariamente ocioso e que demande cuidado, manutenção e limpeza (essa característica é cada vez mais presente, seja nos apartamentos ocupados por um número crescente de solteiros, seja nas unidades em que vivem famílias nas quais a mulher desenvolve atividades de trabalho fora do lar).

Os padrões modernos de arquitetura incluem alguns itens obrigatórios, como o family room (área que agrega a sala de estar com a cozinha americana integrada) e uma grande variedade de ambientes e equipamentos nas áreas comuns. A respeito desses últimos, é importante observar que, nos novos hábitos de bem morar, muitas das atividades sociais, de lazer, de convivência e de entretenimento migraram dos apartamentos para as áreas comuns dos edifícios (salão de festas, espaço gourmet, churrasqueira, quadra esportiva, etc.). Essa é uma característica importante porque, além de evitar espaços ociosos e caros em cada unidade, tem um grande impacto no preço. Espaços compartilhados têm o custo de construção também compartilhado.

Por outro lado, os compradores atuais exigem, cada vez mais, um espaço maior de garagem. Na década de 1980 o padrão de demanda dos clientes da MRV era de 0,15 vagas por unidade habitacional. Atualmente, essa exigência já subiu para cerca de 1,2 vagas por apartamento.  Está acontecendo no mercado imobiliário nacional a aproximação de uma tendência que já se consolidou, há muito tempo, nas principais metrópoles do mundo ocidental (Londres, Nova York ou Paris). Nelas, os apartamentos tidos como sendo de luxo ou de alto luxo recebem essa classificação muito mais em decorrência de sua localização privilegiada do que em função de sua área construída. Essa tendência, da qual o mercado imobiliário nacional vem se aproximando, inclui também, outras características que levam à classificação “luxo” ou “exclusiva”: o oferecimento pelos condomínios, de serviços especiais como lavanderias, salões de beleza, clínicas de estética e diaristas disponíveis, entre outras facilidades que melhoram a vida das famílias moradoras.

Todas essas observações no quesito “tamanho” devem ser levadas em consideração pelos potenciais compradores na hora da escolha da sua melhor opção de compra. Não é só uma questão de buscar um imóvel menor e mais prático. É, também, a necessidade de adquirir um apartamento que não já se apresente com uma desatualização original diante das demandas atuais. Afinal, uma má escolha nesse quesito, além de mais onerosa no momento da compra, pode levar à desvalorização precoce de um item que costuma ser o componente mais importante do patrimônio familiar. 

Rubens Menin