Seu Apartamento Ideal – Preço

O preço final de compra de um imóvel é a própria síntese do negócio, pois já embute os principais fatores que abordei nos tópicos antecedentes (localização, tamanho e acabamento). Mas, nem sempre esse preço retrata com fidelidade aqueles fatores que interferem no custo de edificação do imóvel.

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O preço final de compra de um imóvel é a própria síntese do negócio, pois já embute os principais fatores que abordei nos tópicos antecedentes (localização, tamanho e acabamento). Mas, nem sempre esse preço retrata com fidelidade aqueles fatores que interferem no custo de edificação do imóvel. Há preços melhores e piores para produtos semelhantes, dependendo de uma porção de coisas secundárias, como a densidade de construções (concorrência) em um mesmo bairro, do maior ou menor grau de capitalização da incorporadora ou da eficiência do método construtivo e de gestão da construtora, por exemplo. Enfim, há negócios bons, regulares e ruins, mesmo em um mercado em constante expansão como o imobiliário. Tudo depende, mais uma vez, das escolhas e opções feitas pelos potenciais compradores, observando não só os três fatores principais já mencionados como outras peculiaridades da situação e do negócio.

Em primeiro lugar, há que se ter bom senso. Para a grande maioria das pessoas, o apartamento que estará sendo comprado representará o seu item patrimonial mais importante e valioso. Só isso, já seria o bastante para que os compradores potenciais examinassem criteriosamente as opções de negócio, tendo sempre em mente que, em geral, eles precisam comprar o apartamento que podem pagar e não aquele com que sonharam. A compra do imóvel (principalmente para casa própria) tem que ser uma fonte de alegria e satisfação e não uma sucessão de aflições e problemas futuros para o comprador e sua família. E essas situações ruins ocorrem, quase sempre, quando a compra excede o limite máximo que o comprador deveria fixar para o gasto com o imóvel, sempre que ele ou sua família se deixam seduzir por padrões ou vantagens superiores às previstas (localização, tamanho e acabamento).

Em segundo lugar, há que se considerar a forma de pagamento da compra. A maior parte dos imóveis vendidos no Brasil é paga através de financiamentos bancários que existem em várias modalidades e com distintos custos. Um comprador potencial que se encaixa nessa classe deve buscar o modelo de financiamento que melhor se ajuste ao seu momento de vida. Um casal jovem, que certamente terá renda crescente nos próximos anos, por exemplo, pode optar pela Tabela Price. Já aquele casal maduro cujos rendimentos não devem se elevar tanto ou que, até podem diminuir com a proximidade da aposentadoria, também por exemplo, pode optar pelo modelo SAC, cujas prestações diminuem com o passar do tempo. Nessas e em outras situações, sempre é bom contar com a ajuda especializada de um consultor de venda que pode oferecer e analisar diferentes modelos de financiamento e opções de negócios.

Existem, também, expectativas muito diferenciadas quanto ao tempo em que cada potencial comprador usufruirá de seu apartamento. Muitos sabem que o imóvel escolhido será a sua residência por um prazo longo. Por seu lado, muitos outros escolhem um apartamento para um determinado estágio da vida e pretendem evoluir de padrão (localização, tamanho e acabamento) após alguns anos de desfrute. Nesse último caso, a escolha inicial deve ser fortemente ponderada pelo padrão arquitetônico dos imóveis e pelo tipo de acabamento, considerando, especialmente, a existência de itens que sustentarão um preço maior de revenda (mais vagas de garagem, paisagismo sofisticado, elevadores bem dimensionados, localização em bairros de grande demanda, ser um condomínio fechado e possuir os equipamentos de lazer, entretenimento e segurança de acordo com a tendência atualizada, etc.)

Há uma questão final nesse breve resumo, que também merece ser considerada: a situação financeira e patrimonial do imóvel, agora e no futuro. Um bom negócio começa com o aproveitamento dos melhores preços. As pessoas, e mesmo alguns analistas especializados, tendem a generalizar a consideração de que o mercado imobiliário nacional está supervalorizado e de que todos os nossos imóveis estão muito caros. Isso não corresponde à realidade. Nos últimos 30 anos, os aumentos de preço dos imóveis foram maiores nas faixas de luxo ou alto luxo, apresentando encarecimento real (descontada a inflação) de até 100% conforme a cidade ou região. Esse fenômeno extremo foi muito influenciado pelas novas e mais caras concepções arquitetônicas utilizadas nessa faixa e pela valorização dos terrenos onde este tipo de imóvel é construído. No mesmo período (últimos 30 anos) os apartamentos de padrão médio apresentaram uma valorização real da ordem de 20% (descontada a inflação). Nos imóveis populares ou da faixa econômica, não houve qualquer valorização real nos últimos 30 anos na maioria das grandes cidades brasileiras. Portanto, a escolha do padrão deve ser vista por esse prisma. Sempre que a opção recair sobre um imóvel de faixas mais distantes do padrão luxo ou alto luxo, melhor será o negócio para os compradores potenciais, que aproveitarão, de imediato, um preço específico menor e estável numa tendência de longo prazo.

Rubens Menin