Investimentos (5)

A série Investimentos (1), (2), (3) e (4), que desenvolvi neste blog entre dezembro de 2012 e agosto de 2013, precisava ser atualizada e complementada em decorrência das profundas modificações experimentadas pela economia brasileira nos últimos tempos. Por isso volto ao assunto.

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A série Investimentos (1), (2), (3) e (4), que desenvolvi neste blog entre dezembro de 2012 e agosto de 2013, precisava ser atualizada e complementada em decorrência das profundas modificações experimentadas pela economia brasileira nos últimos tempos. Por isso volto ao assunto.

Os investimentos são o motor do desenvolvimento econômico de qualquer nação. Eles representam a aplicação direta de capital na implantação de projetos destinados à produção de novos bens ou serviços, gerando, em decorrência disso, empregos, renda e impostos, além do atendimento às necessidades básicas de consumo da população. Eles não se materializam apenas na construção de novas fábricas. A incorporação de máquinas ou de equipamentos mais modernos e de maior capacidade nas indústrias existentes também é um investimento do mesmo tipo e capaz de gerar idênticos benefícios. Até mesmo a utilização de novos implementos no campo (tratores, colheitadeiras, etc.) deve ser contabilizada com sendo da mesma espécie, porque também contribui para o aumento da produção, da renda e dos impostos. Além desses, existe outra categoria de investimentos de grande importância: aqueles feitos em equipamentos de infraestrutura (portos, rodovias, ferrovias, aeroportos, silos, sistemas de energia, de comunicação e de saneamento, etc.). Sem eles, a economia de qualquer país deixa de crescer, como, infelizmente, está acontecendo atualmente no Brasil.

Os investimentos dependem da disponibilidade de capitais, sejam eles nacionais ou estrangeiros, públicos ou privados. Em geral, costumam ser aplicados nos investimentos, especialmente naqueles de expansão, modernização ou manutenção da infraestrutura, capitais nacionais, públicos e privados. Quando esses são insuficientes, a alternativa é recorrer aos capitais externos, seja na forma de empréstimos, seja com a atração de investidores diretos.

A disponibilidade de capitais nacionais, em qualquer época ou país, depende da assim chamada Taxa Interna de Poupança, de cada nação. Infelizmente, a nossa Taxa Interna de Poupança (expressa como percentual do PIB) tem sido muito baixa e o seu desempenho tem piorado ainda mais em anos recentes. Em 2013 essa Taxa foi de apenas 13,9% do PIB, com uma significativa redução em relação ao ano de 2012, quando o valor foi de 14,6% do PIB. O resultado do último ano foi o pior desde 2001, quando a Taxa Interna de Poupança tinha chegado a 13,5% do PIB.

Poupamos muito pouco, menos do que países tidos como pobres (Haiti 23% e Etiópia 19%, por exemplo) ou do que nações em crescimento acelerado (China: 50% ; Vietnã: 34% e Índia: 32% , também por exemplo). Os dados de 2012 mostram que, no grupo dos BRICS, a nossa Taxa Interna de Poupança é inferior à de todos os demais parceiros além da China e da Índia (Rússia: 29% e África do Sul: 15%). Perdemos, também, para todos os países que, atualmente, constituem o MERCOSUL (Argentina: 21% ; Uruguai: 17% e Venezuela: 31%). O cotejo ainda nos é mais desfavorável quando analisada a situação dos nossos vizinhos que se reuniram na Aliança do Pacífico, organização constituída para rivalizar com o MERCOSUL (México: 24% ; Colômbia: 20% ; Peru: 22% e Chile: 22%).

Diante da insuficiência de capitais nacionais, o Brasil passou a atrair, no disputadíssimo mercado globalizado, duas formas de aporte de poupança externa (de empresas, de pessoas e de governos): o Investimento Estrangeiro Direto – IED e o Investimento Estrangeiro em Carteira – IEC. Essas duas formas de investimento externo já foram detalhadamente conceituadas e explicadas nos tópicos antecedentes desta série.  O fato que interessa, nesse particular, é que o ingresso desse tipo de capital também decaiu, em termos relativos, nos anos mais recentes. A vinda de IED para o Brasil vem diminuindo desde 2011, ano em que recebemos quase US$ 67 bilhões, até 2013, quando o total ficou em US$ 64 bilhões (que representa apenas 2,88% do PIB). Pior do que isso, pela primeira vez desde 2001, o IED foi insuficiente para cobrir o saldo negativo das nossas transações correntes com o exterior. Os especialistas e captadores afirmam que essa queda está resultando da formação de um clima geral de desconfiança externa em relação à economia brasileira, da forma de gestão das nossas contas públicas e da insegurança jurídica nos contratos e balizamentos regulatórios.

Além da Taxa Interna de Poupança e da importação de recursos externos, a situação dos nossos investimentos pode ser aferida, também, pela Taxa de Formação Bruta de Capital Fixo que mede, percentualmente em relação ao PIB, os gastos em bens de capital (máquinas, equipamentos, material de construção, estoques e assemelhados), ou seja, aqueles bens (fabricados no País ou importados) que servem para produzir, no futuro, outros bens de consumo final. Infelizmente, o quadro nacional nesse particular também é ruim. Além da taxa ser pequena para as nossas necessidades, ela tem decaído relativamente. Nos anos de 2010 e 2011, essa taxa esteve bem próxima de 20% do PIB, mas, nos dois últimos anos, esse mesmo indicador pouco excedeu a 18% do PIB. Em resumo, não só temos poupado pouco para investir, como também temos dirigido uma parcela muito pequena dos nossos gastos à formação de capital produtivo. Poupamos pouco e gastamos mal. Essa situação precisa ser revertida, no menor prazo possível, se quisermos prosperar. 

Rubens Menin