RADAR INFOMONEY AO VIVO Bolsonaro troca presidente da PETR4 pela 3ª vez e ação cai; União quer reduzir contratos com EMBR3

Bolsonaro troca presidente da PETR4 pela 3ª vez e ação cai; União quer reduzir contratos com EMBR3

Investimentos (4)

De fato, no primeiro semestre deste ano, recebemos mais de US$ 30 bilhões de IED, valor praticamente igual ao recebido em idêntico período de 2012. O que desequilibrou, perigosamente, as nossas contas externas foi o déficit em transações correntes que alcançou, de janeiro a junho, a cifra recorde de US$ 43,5 bilhões.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

O comportamento das contas externas nacionais durante o corrente exercício – muito pior do que as expectativas iniciais – fez com que eu me decidisse a acrescentar um tópico mais atualizado à série Investimentos, publicada neste blog nas últimas semanas de 2012, aproveitando a mesma conceituação explicativa utilizada naquela ocasião.

Até então, tínhamos a expectativa de que a importação de poupança externa, na forma de IED – Investimento Estrangeiro Direto (aqueles aportes feitos diretamente no setor produtivo, originários do exterior e efetivados por investidores que detêm participação acionária mínima de 10% no capital votante da empresa que recebe os recursos) seria suficiente para equilibrar a nossa balança de pagamentos, cada vez mais deteriorada. Mas, infelizmente, isso deixou de acontecer. Ainda recebemos um volume razoavelmente elevado de IED (embora em quantidade inferior àquela que prevíamos). De fato, no primeiro semestre deste ano, recebemos mais de US$ 30 bilhões de IED, valor praticamente igual ao recebido em idêntico período de 2012. O que desequilibrou, perigosamente, as nossas contas externas foi o déficit em transações correntes que alcançou, de janeiro a junho, a cifra recorde de US$ 43,5 bilhões. Na realidade, todas as rubricas que formam as transações correntes, incluindo: balança comercial (exportações e importações), compra e venda de serviços, remessas de juros e lucros, valores enviados para ou por imigrantes e turistas, etc. apresentaram-se fortemente deficitárias, merecendo especial destaque os agregados da balança comercial (U$ 3 bilhões), da conta de remessas (US$ 19 bilhões) e da conta de serviços (US$ 22 bilhões).

Desses números semestrais, dois merecem um comentário mais detalhado. O primeiro deles é o déficit na balança comercial, que pode parecer relativamente pequeno no confronto com outras classes de contabilização nacional, mas que não se apresentava negativo desde 1995 e que, pelo contrário, vinha garantindo superávits importantes para o fechamento das nossas contas externas. Além das razões já conhecidas para essa queda de desempenho (Custo Brasil, principalmente), houve também um aumento significativo no déficit externo da conta de combustíveis e derivados. Essa última situação não resultou só da diminuição na quantidade produzida internamente pela Petrobras e nem apenas das novas regras de contabilização permitidas pela Instrução Normativa n° 1282 da Receita Federal do Brasil, de 16/07/2012, (que autorizou o diferimento de mais 30 dias na contabilização das compras de petróleo e gás). A esses fatores, há que se acrescentar, também, o grande aumento nas compras de combustíveis utilizados para o acionamento das usinas termelétricas, postas a funcionar continuamente no recente quadro de escassez energética, conforme mencionei nos tópicos da série A Insegurança Hidrelétrica. O fato concreto é que o diferimento autorizado pela nova Instrução Normativa teria alcançado apenas cerca de US$ 4,5 bilhões (cujas compras corresponderiam a 2012 e não a 2013), mas o déficit na conta de petróleo e derivados, no primeiro semestre de 2013, é quase três vezes superior a esse montante.

O segundo número semestral que merece um comentário mais detalhado é o crescimento exagerado do nosso déficit no turismo internacional, acrescido das compras pessoais feitas por brasileiros no exterior (motivada, principalmente, pela nossa carga exorbitante de impostos), assunto que já tive oportunidade de abordar em novembro de 2012, no tópico Compras Pessoais nos EUA, mas que vale a pena ser complementado e atualizado. De plano, há que se fazer uma constatação desconcertante: apesar de suas belezas naturais e de outros atrativos, o Brasil recebe apenas, cinco milhões de visitantes internacionais por ano, número que situa o nosso país na 37ª posição do ranking mundial, atrás da Bulgária, da Arábia Saudita, da Tunísia, da Cidade-Estado de Cingapura e do pequeno enclave chinês de Macau, por exemplo. Paralelamente, é cada vez maior o número de brasileiros que viaja para o exterior e compra compulsivamente. Em todo o ano de 2012, os gastos dos brasileiros no exterior já tinham alcançado a cifra recorde de US$ 22,2 bilhões. Apenas no primeiro semestre de 2013, esses gastos já superam US$ 12,3 bilhões, apesar da desvalorização cambial do Real. Em contrapartida, o gasto de estrangeiros no Brasil, no mesmo período, não atingiu US$ 3,5 bilhões.  Essa é uma situação que precisa ser invertida ou, pelo menos, reequilibrada.    

Infelizmente, a situação retratada pelos números alarmantes do primeiro semestre parece estar se tornando ainda mais crítica. Acabam de ser divulgados os números preliminares da nossa contabilidade externa no mês de julho. A balança comercial apresentou, só nesse mês, um déficit adicional de US$ 1,89 bilhão, aumentando o acumulado até julho, para quase US$ 5 bilhões (exportações de U$ 135,23 bilhões e importações de US$ 140,21 bilhões).  Uma questão importantíssima para essa grave degradação no quadro das contas externas nacionais é a perda continuada de competitividade da nossa indústria de transformação.  A contribuição desse setor para a balança comercial, que era superavitária, passou a ser deficitária em mais de US$ 100 milhões anuais. E isso não pode ser debitado, apenas, à valorização cambial que prevaleceu até o início deste exercício. Boa parte da perda de competitividade pode ser debitada, também, ao “Custo Brasil” e seus componentes, principalmente aos impostos excessivos e à falta de investimentos em infraestrutura.  O fato é que, todos os fatores mencionados, acrescidos da diminuição do preço internacional de muitas das commodities que exportamos, do temor dos investidores diante do quadro de incertezas da nossa economia e de outros dificultadores conjunturais, fizeram acender o sinal de alerta. E esse é um indicador que temos que levar a sério, enquanto é tempo.

Rubens Menin