Futebol e etc.

A nossa crescente posição como grandes patrocinadores esportivos decorre, justamente, da crença de que uma forte associação da nossa marca com atletas e clubes esportivos com grande reconhecimento e popularidade reforça a imagem corporativa da construtora, cria uma empatia natural com o público aficionado e forja um sentimento recíproco de intimidade respeitosa ou pertencimento, a partir da emoção compartilhada do esporte.

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Na semana que passou, dois times mineiros sagraram-se campeões nacionais: o Atlético (campeão da Copa do Brasil) e o Cruzeiro (campeão da série “A” do Campeonato Brasileiro). Esse fato inédito para o esporte mineiro desde que as duas competições passaram a coexistir deslocou o eixo de interesse do futebol nacional para Belo Horizonte. Ambos os clubes – que já têm participação garantida na edição de 2015 da Copa Libertadores das Américas – sabem que boa parte desse êxito decorreu da eficiente organização adotada no âmbito gerencial de cada um deles e da excelente estrutura das respectivas instalações especializadas. Mantidas constantes, essas condições, o mesmo êxito poderá se repetir no futuro imediato? Ou ainda, se o futebol de outros estados vier a se organizar da mesma forma, terá também chances de ser igualmente bem-sucedido, aqui e acolá? Essas são questões intrigantes e merecem mais reflexão.

O futebol sempre foi – e ainda é – uma paixão nacional. Pesquisa realizada pelo IBOPE por encomenda de um grande fabricante de cerveja constatou que 77% dos brasileiros consideram esse esporte como a sua maior paixão. Conforme já tive oportunidade de registrar em outros tópicos deste blog, o nosso grupo empresarial, encabeçado pela MRV Engenharia, reconhece a importância dessa paixão nacional e tem priorizado o futebol entre o elenco de atividades esportivas que temos patrocinado ou apoiado nos últimos quinze anos.Aliás, a nossa crescente posição como grandes patrocinadores esportivos decorre, justamente, da crença de que uma forte associação da nossa marca com atletas e clubes esportivos com grande reconhecimento e popularidade reforça a imagem corporativa da construtora, cria uma empatia natural com o público aficionado e forja um sentimento recíproco de intimidade respeitosa ou pertencimento, a partir da emoção compartilhada do esporte. Tudo isso são ingredientes que favorecem uma resposta positiva para as duas indagações feitas no parágrafo antecedente. Crença que fica ainda mais reforçada quando se constata que a arrecadação obtida pelos dois clubes nos três últimos jogos decisivos para as duas conquistas destacadas neste tópico, da ordem de US$ 3 milhões, apresentou-se na mesma magnitude das boas bilheterias européias. Em resumo, excluídas outras considerações haveria razões para se acreditar no grande potencial do futebol brasileiro e, portanto, no seu marketing esportivo.

No entanto, precisamos considerar, também, a circunstância de que, mesmo com tantas variáveis favoráveis – e sendo o Brasil um país muito populoso que alcançou o 6° posto no ranking das grandes economias mundiais – não conseguimos um padrão constante de boas arrecadações para os nossos grandes clubes. Estes, vistos como empresas ou empreendimentos, estão sempre endividados e frequentemente têm que vender os seus melhores atletas para clubes europeus e de outros continentes, por pura necessidade de sobrevivência financeira e patrimonial. As causas não se resumem àquelas que já elenquei no tópico Lições da Maior Derrota do Futebol Brasileiro, publicado logo após o massacre alemão dos inesquecíveis 7 x 1.

Os clubes brasileiros não estão financeiramente quebrados apenas em decorrência de má gestão, como sempre se apregoa. Essa até pode ser uma das causas, aqui e ali, mas no geral as razões principais são outras. Os clubes de futebol não são uma exceção no quadro geral da ineficiência nacional. Não conseguimos ser competitivos em quase todos os demais setores econômicos e empreendimentos. Todos os itens produzidos aqui ficaram caríssimos (automóveis, eletrodomésticos, material esportivo, etc.). Os clubes de futebol (e suas atividades) também perderam competitividade e se tornaram muito deficitários, com pouquíssimas exceções. Os fatores da baixa produtividade e do desequilíbrio financeiro são os mesmos de qualquer outro setor produtivo: Custo Brasil, Carga Tributária e elevadíssimos encargos trabalhistas gerados pelos atletas. Portanto, como resposta final às indagações que registrei no início, apesar do grande potencial que reconheço existir no futebol nacional, não acredito que o sucesso dos dois times mineiros neste ano, se replique facilmente no futuro sem que toda a nossa estrutura econômica seja modernizada e otimizada. Outros êxitos vão ocorrer, porque sempre terá de haver campeões, mas não será um prêmio automático e certo aos clubes que melhor se organizarem.

Rubens Menin