Empreendedorismo e a geração de novas oportunidades

Sou um entusiasmado com o papel desempenhado pela figura do empreendedor e, por consequência, com a atitude do empreendedorismo na longa e luminosa jornada de progresso da humanidade. E, por causa do empreendedorismo contido nesse ato simbólico e em muitos outros instantes subsequentes da nossa trajetória, o homem, que competia em desvantagem com outras espécies na luta pela sobrevivência, transformou-se na mais bem sucedida forma de vida deste planeta.

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Sou um entusiasmado com o papel desempenhado pela figura do empreendedor e, por consequência, com a atitude do empreendedorismo na longa e luminosa jornada de progresso da humanidade. Foi um hominídeo empreendedor que, há cerca de três milhões de anos, transformou pela primeira vez um pedaço de pedra em um instrumento de corte. E, por causa do empreendedorismo contido nesse ato simbólico e em muitos outros instantes subsequentes da nossa trajetória, o homem, que competia em desvantagem com outras espécies na luta pela sobrevivência, transformou-se na mais bem sucedida forma de vida deste planeta.

Já registrei em outro espaço que o empreendedor é, antes de mais nada, uma pessoa disposta a correr riscos para viabilizar um objetivo, no qual costuma concentrar o seu foco, os seus esforços, as suas habilidades, o seu otimismo e o seu entusiasmo. Com essa base, adotei a definição de que, em geral, o empreendedor é um inconformado com a inexistência de determinado produto ou serviço, de um método eficiente de produzi-los ou de uma forma de melhorar-lhes a qualidade, a quantidade disponível ou o preço de venda. E, nessa busca pelo objetivo, quando é bem sucedido, costuma ser premiado financeiramente, ainda que, na maior parte das vezes, não seja essa a sua motivação inicial.

Pego esse gancho para focar, desta vez, a realidade nacional, pois precisamos, mais do que nunca, estimular o movimento do empreendedorismo para aproveitar o nosso elevado potencial dessa característica comportamental. De fato, a taxa de empreendedorismo no Brasil, quando expressa como porcentagem de empreendedores na PEA (População Economicamente Ativa) é pouco inferior a 30%, ou seja, situa-se em patamares mais elevados do que os observados na maioria dos países, conforme demonstram os estudos realizados sistematicamente pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM) e divulgados em parceria com o IBQP, SESI, SENAI e SEBRAE.

Nesse quadro mais geral do movimento identificado como empreendedorismo, acho importantíssimo destacar a presença daquilo que começa a ser rotulado como “empresa de alto impacto”. O Instituto Empreender Endeavor organização internacional de estímulo ao empreendedorismo e que vem atuando no Brasil desde 2000, utiliza esse conceito para identificar as empresas que buscam incessantemente a inovação (tecnológica, gerencial, nos produtos, etc.). Já tive oportunidade de registrar, também em outro espaço, uma informação relevante nesse particular: os estudos do Instituto Endeavor, calibrados pela observação de sua própria rede de iniciativas empresariais apoiadas, mostram que as “empresas de alto impacto” são capazes de gerar até cem vezes mais postos de trabalho dos que as empresas convencionais, em um mesmo período de tempo. E, o mais importante, os postos de trabalho criados nas “empresas de alto impacto” costumam ser menos voláteis e muito melhor remunerados do que os existentes no resto do mercado.

Paralelamente a tudo isso, há que se resgatar também as informações divulgadas pelo IBPT – Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, segundo as quais existem atualmente no Brasil pouco mais de onze milhões e meio de empresas privadas, sendo que apenas cerca de 33 mil delas podem ser classificadas como de “alto impacto” pelo nível de inovação e crescimento, sendo a maioria surgida no âmbito de redes semelhantes à apoiada pelo Instituto Endeavor ou de outras iniciativas de estímulo ao empreendedorismo.

Como aproveitar o nosso potencial empreendedor para, com ele, melhor enfrentarmos essa conjuntura econômica desfavorável? Não é tão simples como se possa pensar. Temos que reverter um ambiente econômico, político, jurídico e organizacional ainda muito hostil ao empreendedorismo. Já tive oportunidade de registrar resumidamente os principais obstáculos: o excesso de burocracia e regulamentação, a elevada carga tributária, a dificuldade de crédito, a carência de investimentos em inovação e pesquisa científica, a presença disseminada de forte preconceito antiempresarial no meio acadêmico, os pesados encargos sobre os salários, as deficiências de infraestrutura e do sistema educacional e a falta de estímulo governamental para as pequenas iniciativas. Mas, essa é uma luta que vale a pena lutar. Quem sabe, com esse inconformismo transformamos um pedaço de pedra em um instrumento de corte? 

Rubens Menin