Bônus Demográfico (3)

Já mencionei que a demanda nacional por novas moradias crescerá de 1,5 a 2,1 milhões de unidades por ano até 2030, ou seja, até o final do período em que estaremos desfrutando o prêmio denominado "bônus demográfico".

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Já mencionei que a demanda nacional por novas moradias crescerá de 1,5 a 2,1 milhões de unidades por ano até 2030, ou seja, até o final do período em que estaremos desfrutando o prêmio denominado “bônus demográfico”. Mencionei, também, que a parte dessa demanda anual (devida principalmente à formação de novas famílias) que não puder ser atendida pela construção das moradias requeridas irá somar-se ao nosso enorme déficit habitacional já acumulado (estimado em quase oito milhões de habitações).

Os benefícios do “bônus demográfico”, quando a população em idade de trabalhar e produzir fica muito superior ao número de dependentes – fenômeno que ocorre uma única vez e que, por si só, é capaz de aumentar a renda per capita nacional em até 1,5% ao ano – devem ser aproveitados, prioritariamente, para equacionar dois problemas de difícil solução posterior (depois que a fração de idosos já tiver aumentado desfavoravelmente), quais sejam, o déficit habitacional acumulado e o déficit previdenciário projetado.

Diante desse desafio e para reforçar a opinião que já registrei em outros tópicos deste blog, segundo a qual, dispomos de capacidade nacional mobilizável para chegarmos ao número necessário de construções anuais, parece interessante examinar algumas conclusões do estudo “Potencialidades do Mercado Habitacional” realizado e divulgado em parceria pela Ernst & Young Terco e pela FGV – Fundação Getúlio Vargas. Essa foi a primeira de um conjunto de seis publicações temáticas elaboradas pelas mencionadas instituições a partir de 2008 e presta-se bastante bem ao exame do nosso interesse, já que analisa prospectivamente o mercado habitacional brasileiro justamente até o ano de 2030, que vimos considerando como o limite final do período do nosso “bônus demográfico”.

Segundo o estudo das duas renomadas instituições, o investimento habitacional do país estará crescendo no período de interesse, a taxas anuais médias de 4,4% (com forte incremento a partir de 2016) até alcançar o montante anual de R$ 446,7 bilhões em 2030, após ter passado pelo máximo no quinquênio anterior. Neste mesmo cenário prospectivo, o estudo registra um fortíssimo crescimento do crédito imobiliário – com incremento anual médio de 11,2% – que resultará em um montante anual de R$ 290,4 bilhões em 2030, ou seja, em um crescimento da ordem de dez vezes no período de 23 anos considerado. Todos esses números estão razoavelmente compatíveis com os que considerei para formar a minha opinião de que, em prazo não muito longo, a Construção Civil nacional poderá se mobilizar para um desafio desse porte. Desde que estimulada pelas providências necessárias, notadamente no que diz respeito à remoção do excesso de burocracia e à eliminação de outros empecilhos anacrônicos já apontados neste blog.

Por oportuno, achei interessante reproduzir, no presente tópico, outra conclusão já divulgada na imprensa com base nas informações do mesmo estudo citado nos parágrafos precedentes. Com efeito, 57% das novas famílias formadas na primeira década do período considerado no estudo apresentarão renda familiar inferior a R$ 2,0 mil. No período subsequente, ou seja, entre 2018 e 2030, 78% das novas famílias formadas apresentarão renda familiar situada entre R$ 2,0 mil e R$ 8,0 mil. Em outros termos, os subsídios complementares fornecidos pelo Programa “Minha Casa, Minha Vida”, em sua configuração atual, perderão praticamente a importância e deixarão de ser amplamente concedidos a partir de 2018. Essa é uma perspectiva muito interessante, pois confere àquele Programa uma característica bastante cobrada nos mecanismos de favorecimento social: uma porta de saída após o cumprimento da missão principal.

Rubens Menin