A Volta dos Leilões

Na realidade, a decisão governamental em favor da busca de capitais privados para os grandes investimentos nacionais não se restringiu, apenas, ao setor de infraestrutura, pois voltaram a ser licitados, também, depois de longa interrupção, os lotes de exploração de petróleo e gás. É nesse âmbito mais global que a mudança estratégica do governo deve ser vista e comemorada.

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No dia 27 de Novembro, o Presidente da ABDIB – Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, empresário Paulo Godoy, publicou Editorial no órgão de comunicação da entidade em que classifica 2013 como o “ano das concessões”. O júbilo daquele dirigente foi consequência dos leilões de concessão da rodovia federal BR-163 e dos aeroportos de Confins e do Galeão, em rápida sucessão e após um longo tempo de paralisia nas iniciativas governamentais de privatização. Na opinião do Presidente da ABDIB, a realização bem-sucedida desses leilões mostra que “as concessões no setor de transporte e logística começam, enfim, a deslanchar, criando perspectivas positivas de aceleração dos investimentos em infraestrutura nos próximos anos”.

Na realidade, a decisão governamental em favor da busca de capitais privados para os grandes investimentos nacionais não se restringiu, apenas, ao setor de infraestrutura, pois voltaram a ser licitados, também, depois de longa interrupção, os lotes de exploração de petróleo e gás. É nesse âmbito mais global que a mudança estratégica do governo deve ser vista e comemorada. Não se trata apenas, da busca urgente e emergencial de capitais para viabilizar investimentos em setores estratégicos e, com isso, alavancar novamente a economia. Os efeitos dessa decisão são muito maiores e mais profundos: a gestão privada vai agregar muito maior eficiência aos empreendimentos concedidos e, ao cabo, garantir maior competitividade à produção nacional, seja no mercado interno, seja no disputado ambiente de trocas do mundo globalizado.
 
Nunca é demais lembrar que, o aumento de eficiência e de competitividade desses setores, além de possibilitar a recuperação de situações deterioradas ou insustentáveis, promoverá a consequente diminuição de custos, tanto nos insumos para as cadeias produtivas, como também, e principalmente, para o consumo final dos produtos e serviços. Mas é preciso acelerar o processo e torná-lo menos tímido e mais abrangente, alcançando em breve espaço de tempo, a concessão dos portos, por exemplo, para eliminar ou reduzir a fila de navios. Temos que recuperar o tempo perdido com as indecisões e modernizar logo a nossa economia.
Voltando ao Editorial da ABDIB: não resta a dúvida de que temos o que comemorar neste “ano das concessões”. Mas, não podemos ficar só nisso. Quem sabe, tomamos juízo e detonamos em 2014 o tão esperado movimento de redução da nossa infernal burocracia. Essa seria uma medida complementar muito saudável, até mesmo para possibilitar que os capitais privados que foram atraídos para os investimentos leiloados possam efetivamente prestar todos os benefícios de gestão eficiente que deles esperamos. Os brasileiros gostariam muito de, daqui a doze meses, poder celebrar 2014 como o “ano da desburocratização”.

Rubens Menin