A Indústria do Esporte

O esporte é, acima de tudo, uma paixão. Mas, além de ser uma paixão, que envolve o sentimento e o entusiasmo das pessoas, ele é, também, uma atividade econômica. As estimativas atuais apontam o esporte, em suas diferentes modalidades - que vão do futebol ao golfe, conforme as preferências de cada país ou região - como o segmento econômico com a maior taxa de crescimento em todo o mundo. Essas mesmas estimativas indicam que o esporte deverá produzir riquezas em 2013, na ordem de US$ 1 trilhão.

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O esporte é, acima de tudo, uma paixão. Mas, além de ser uma paixão, que envolve o sentimento e o entusiasmo das pessoas, ele é, também, uma atividade econômica. As estimativas atuais apontam o esporte, em suas diferentes modalidades – que vão do futebol ao golfe, conforme as preferências de cada país ou região – como o segmento econômico com a maior taxa de crescimento em todo o mundo. Essas mesmas estimativas indicam que o esporte deverá produzir riquezas em 2013, na ordem de US$ 1 trilhão.

Nos EUA, por exemplo, a indústria do esporte já está em estágio muito mais avançado e consolidado do que em outros países, incluindo o Brasil. Lá, a prática de esportes ou o simples acompanhamento das temporadas esportivas já fazem parte da cultura do país e, por questões de saúde pública, as ligas, os clubes e as próprias escolas e academias recebem substanciais incentivos fiscais do governo. Em decorrência dessa melhor estruturação, as instituições esportivas norte-americanas conseguem atrair um público enorme de aficionados, de torcedores ou de espectadores apaixonados, nos torneios e competições de muitas modalidades (basquete, basebol, vôlei, natação, canoagem, tênis, automobilismo, etc.). Em razão disso, nos EUA, as diversas modalidades esportivas conseguem reunir um elevado número de grandes patrocinadores, que acabam por movimentar muitos bilhões de dólares por ano.

O nosso panorama doméstico ainda está muito menos desenvolvido e consolidado. Aqui, apenas o futebol conseguiu atingir um estágio de maior estruturação, com mais profissionalismo e investimento. E, apesar de estar praticamente sozinho nessa posição, o futebol já movimenta valores significativos. Segundo a ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, a indústria do esporte no Brasil movimentou, em 2012, cerca de R$ 31 bilhões, ou seja, mais de 0,6% do nosso PIB. E deve crescer mais.

A paixão do brasileiro pelo futebol é bem conhecida de todos nós. Mas, para se enxergar o potencial dessa paixão, às vezes é preciso considerar alguns eventos nos quais ela se materializa em proporções surpreendentes. No ano passado, o Corinthians Paulista levou mais de 30 mil torcedores para o mundial de clubes que se realizava no Japão, do outro lado do mundo. Neste ano, o Atlético Mineiro está levando para o Marrocos, onde está sendo disputado o mesmo torneio, mais de 25 mil torcedores apaixonados pelo Galo. São números muito significativos, especialmente quando convertidos para valores monetários.

Outro exemplo da importância do esporte na produção de riqueza pode ser visto no valor agregado pelos símbolos de clubes populares em peças do vestuário. Uma camisa das marcas mais famosas de material esportivo pode ser adquirida nas lojas brasileiras do ramo por um valor da ordem de R$ 80,00 (dependendo do modelo e da originalidade). Quando essa mesma camisa passa a contar com as cores e os emblemas de um clube com grande torcida, o seu preço de venda nas mesmas lojas costuma ultrapassar R$ 200,00. É por essa razão que os clubes europeus de futebol dão tanta importância à construção de lojas especializadas em seus estádios ou sedes, onde são comercializados uniformes, bolas e outros materiais esportivos personalizados. O torcedor ou mesmo o admirador visitante está comprando a marca e o emblema do clube. E isso pode não ter preço.

Um fato é certo: a partir do que já temos, deveríamos impulsionar em nosso país, a indústria do esporte. Preferencialmente envolvendo, também, outras modalidades que estão se tornando mais populares, como o vôlei, por exemplo. O potencial é enorme.

Rubens Menin