Web3 e cripto, a possibilidade de termos propriedade de tudo, inclusive nossa alma digital

A propriedade de terras foi um dos marcos para o desenvolvimento das civilizações. Estamos próximos de uma situação similar?
Por  Gustavo Cunha -
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Em vários de meus artigos recentes descrevi de forma geral porque Web3, e criptomoedas como sendo um dos seus pilares mais importantes, farão parte do nosso mundo assim como a internet o faz agora. Um dos principais aspectos é Web3 já ter a monetização e direito de propriedade nativos.

Ouvindo, por indicação do Mauricio Magaldi, a entrevista do BANKLESS com o fundador da A16, Marc Andreessen, na qual ele fez um paralelo do que está acontecendo com o grande desenvolvimento que o mundo teve quando o direito a propriedade da terra começou a ocorrer, ficou bastante claro o potencial que isso tem.

Segundo ele, a partir do momento que tivemos a propriedade à terra garantida, foi possível que o proprietário investisse para sua melhoria, aumentando a sua produtividade sem ter que gastar tanto para sua segurança.

Além disso, a propriedade da terra possibilitou que ele tomasse dinheiro com a terra como lastro, antecipando investimentos que seriam feitos em vários anos subsequentes, dinamizando mais a economia, investindo em inovações e por aí vai. Sem a propriedade definitiva da terra, seria muito difícil termos chegado ao nível de desenvolvimento que chegamos hoje.

Seguindo esse mesmo raciocínio, nos tempos atuais, grande parte dos empréstimos e dívidas que existem são ainda baseados em terra, não terra como havia há centenas de anos atrás, mas casas, apartamentos, fazendas, etc.. Esse direito à propriedade imobiliária é hoje um dos grandes impulsionadores da nossa economia e a principal forma de reserva de valor da civilização atual.

Agora imagina se houvesse uma forma de atestar propriedade de outros ativos que não somente os ligados a terra/imóveis. É essa a transformação que ele sugere estar para acontecer. Web3 e cripto possibilitam que tenhamos a propriedade de tudo, desde os conteúdos que produzimos (artigos como esse), nossas fotos, ativos digitais, entre outros, de uma forma segura e, mais que isso, confiável e verificável por quem o necessite fazer.

Imagine tomar dinheiro com base na sua reputação online ou com base na propriedade de um ativo digital de forma fácil e global. Ou que você tenha uma forma direta e verificável de provar mundialmente que você é você mesmo. Quem já passou pela experiência de abrir conta em uma instituição financeira em outro país sabe a dificuldade que é isso hoje.

Cada vez mais temos um mundo onde ativos digitais e virtuais tem mais valor e a possibilidade de termos uma forma auditável, segura, transparente e global de atestar o proprietário desse ativo abrirá um caminho imenso para desenvolvimento da economia.

Web3 e cripto possibilitam isso. Para dar um exemplo palpável, gosto de citar a forma como temos para conectar nas 3 webs.

Em Web1 necessitávamos criar um login e senha para toda plataforma que queríamos interagir, em Web2 isso virou utilizar uma conexão com um lugar centralizado onde já temos cadastro (Google, Meta etc.), em Web3 conectamos nossas carteiras na rede blockchain.

Esse ponto de conectarmos em Web3 utilizando uma carteira (wallet) traz consigo a possibilidade de sermos os detentores de tudo que faça parte dessa interação e mais.

Em um artigo acadêmico recente, Vitalik Buterin, um dos criadores da rede Ethereum (ETH), descreve o que chama de “soulbound” tokens (SBT), que são como se fossem nossas “almas” representadas na rede.

Com isso poderíamos não só termos a propriedade de ativos nesse mundo de blockchain, mas sermos efetivamente representados nele, como pessoas, de uma forma segura, global, descentralizada e atestável por todos. Um conceito “muito louco”, como diria meu filho, e que está aí para ser testado nos próximos anos.

Se você ainda não está convencido da mudança que está aí na nossa porta, aconselho fortemente dar uma olhada nos links que coloquei no final desse texto e depois, caso ainda não esteja convencido, venha conversar comigo pois adoraria entender os argumentos contrários.

Uma das grandes formas de nos desenvolvermos é ter o coração e mente abertos para ouvir e discutir opiniões construtivas dissonantes das nossas e adoro isso.

Se você já está convencido da mudança, fica a provocação. Fará parte ativa dela ou será somente levado pela onda? A decisão é sua.

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Para ir além nesse assunto:

Youtube – Bankless com o Marc Andreessen
Powerpoint State of Cripto (A16)
Artigo Vitalik Buterin

Gustavo Cunha Sócio da gestora de ativos digitais Resetfunds, e do portal de educação Fintrender. Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro, foi ex-diretor do Rabobank Brasil, e está há mais de 5 anos no mercado cripto. Escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É um experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal)

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