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Sempre tenho uma busca por passagem no radar ou aproveito um feriado para conhecer um lugar diferente. É o meu maior incentivo para viver e investir cada vez mais

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Se você acompanha o Blog da Levante, já deve ter percebido que viagens são um dos meus motores para o dia a dia. Sempre tenho uma busca por passagem no radar ou aproveito um feriado para conhecer um lugar diferente. É o meu maior incentivo para viver e investir cada vez mais.

Eu já escrevi sobre o tema algumas vezes, e hoje retomo com as (maravilhosas) Ilhas Maurício.

Aqui nesse artigo, falei sobre a sua pluralidade. Como que uma pequena ilha com cerca de dois mil quilômetros consegue agregar tantos povos diferentes? Gente de origem indiana, africana, chinesa e europeus… Todos juntos em harmonia.

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No Brasil, também não é tão diferente assim, é só olhar para o lado para perceber a mistura de raças que temos em nosso território.

E aí eu pergunto: por que os seus investimentos devem ficar restritos ao nosso país? Não é possível ver harmonia com tantas diferenças? Por que então não explorar tantos mercados mundo afora e fazer um mix com os seus investimentos?

Na verdade, há uma explicação (quase científica) para isso, e é conhecida por home bias.

É um fenômeno que acomete investidores não apenas por aqui, mas pelos quatro cantos do mundo: a tendência em investir apenas no próprio país de residência. O também chamado viés doméstico do investidor.

Nem mesmo os norte-americanos ou os europeus resistem à propensão de aplicarem o dinheiro apenas dentro dos limites impostos pela geografia. Ainda são poucos os que se aventuram além-mar.

Mas, quando analisamos o todo, com tantas oportunidades e facilidades, não vejo motivos para manter a concentração única e exclusivamente em seu país.

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Se já consumimos produtos e serviços dos mais variados lugares – e ainda viajamos com frequência para os lugares mais longínquos -, por que não considerar certa exposição do seu dinheiro à economias mais exóticas e com grande potencial de valorização, ou ainda contar com a estabilidade de grandes potências?

Hoje em dia é ainda mais fácil investir se em nossas aplicações apenas precisamos de dois cliques para comprar uma ação ou um título público: não existem tantas barreiras quando falamos em aplicar em uma ação em outro país. Afinal de contas, estamos em um mundo globalizado e conectado, mas ainda insistimos em construir barreiras para o nosso dinheiro.

Se você acha que há muito risco por aqui, não sabe como será a condução do novo governo ou acredita no melhor desempenho de algum outro país, já passou da hora de diversificar a composição de seus investimentos.

Sabe como?

Uma das formas mais simples para que você possa realizar esse tipo de investimento é por meio dos ETFs, que são aqueles fundos que buscam acompanhar um determinado índice. Bem conhecidos lá fora, eles ainda estão dando os seus primeiros passos por aqui. Mas, ainda assim, oferecem uma excelente oportunidade de retorno e, logicamente, exposição ao cenário externo.

Você pode ganhar com a exposição à várias empresas que o ETF buscará acompanhar, já de forma diversificada. Além disso, pagará taxas administrativas bem baixas e mais atrativas quando comparamos aos fundos tradicionais.

Quer mais vantagens?

Se você ainda não está convencido de que esta é uma boa ideia, pense ao menos pelo lado dos ganhos com a diversificação cambial.

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Você pode ganhar com a exposição às moedas fortes, como o dólar ou o euro. Como ninguém sabe ao certo qual será a trajetória das moedas ao longo do tempo (inclusive desconfie de quem afirma saber), você pode ganhar com esse sobe e desce também.

Portanto, em casos de apreciação do real, você tem um ganho extra relativo a oscilação cambial. Por isso, é possível ganhar de diversas formas e sem ficar dependente apenas ao desempenho de nossa própria economia. Em sua próxima viagem, que tal já ir com o pensamento: este é um bom país para investir ou as empresas daqui seriam boas oportunidades para investimento?

Glenda Ferreira