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Este ano tem sido repleto de surpresas para os mercados. Não estamos apenas diante de mais um ciclo econômico, mas sim de uma transformação profunda, que traz maior incerteza no longo prazo. Embora a incerteza comercial tenha alcançado um recorde histórico e o cenário econômico tenha se agitado em abril, isso não se traduziu em uma volatilidade sustentada. Na verdade, a volatilidade implícita de títulos e ações caiu, posteriormente, para o menor nível em vários anos, segundo dados do Bank of America.
De forma semelhante, os mercados ignoraram, em grande parte, o aumento das tarifas: apesar de estarem mais altas do que no início do ano, encontram-se abaixo do que se temia inicialmente. Essas reviravoltas mostram como é importante olhar além do ruído e extrair lições para o restante de 2025.
Primeira lição: certas leis econômicas imutáveis impedem que o mundo mude rapidamente, ainda que não evitem que o sentimento oscile enquanto os mercados tentam interpretar os dados de curto prazo e seus impactos sobre a economia. Essas oscilações, por sua vez, podem gerar oportunidades. Por exemplo, as ações vacilaram após 2 de abril, mas o fato de os EUA dependerem de um fluxo estrangeiro constante para financiar sua dívida impediu que prosperasse a postura inicial sobre tarifas — o que deu motivos para acreditar que o desfecho poderia ser melhor do que o esperado. Reconhecer esse tipo de reversão tem sido uma das estratégias mais eficazes em 2025.
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Segunda lição: a exposição às mega forças deve ser reflexiva, não indiscriminada. Transformações estruturais, como a inteligência artificial (IA), estão entre os principais motores de rentabilidade dos investimentos. No entanto, para que esse potencial se concretize, é necessário acompanhar de perto como elas evoluem e o que os mercados já precificaram. Estamos apenas na primeira de três fases da IA: construção, adoção e transformação. O enorme gasto atual em IA está impulsionando oportunidades na fase de construção, mas estas serão diferentes nas etapas seguintes, que podem demorar a se materializar. Essa incerteza exige adaptabilidade. Um exemplo é a reavaliação do caso de investimento em tecnologia nos EUA após o lançamento do modelo chinês DeepSeek, supostamente mais barato, ter provocado uma correção nas ações do setor.
Terceira lição: os diversificadores confiáveis estão mais escassos em um mundo em transformação. Já não é possível contar com os títulos do Tesouro dos EUA de longo prazo para oferecer proteção durante quedas das ações, como ocorria no passado. Os movimentos das taxas romperam os padrões anteriores à pandemia à medida que crescem as preocupações fiscais. Nesse contexto, o ouro ganhou espaço, à medida que investidores buscam novas fontes de diversificação de riscos.
Em resumo, o que vivemos até agora em 2025 traz ensinamentos importantes para o restante do ano: o mundo não muda da noite para o dia, mas o sentimento pode mudar rapidamente. As mega forças exigem acompanhamento constante e é essencial buscar novas formas de resiliência, em um cenário no qual os diversificadores tradicionais se tornam mais escassos.