Valorização do mínimo faz serviço doméstico ficar 36% mais caro no governo Lula

Segundo o IBGE, o aumento do pagamento de empregados influencia diretamente no grupo de serviços pessoais

SÃO PAULO – Com a política de valorização do salário mínimo, empregada pelo governo Lula, cresceram, por conseqüência, os gastos de famílias que possuem empregados domésticos. A afirmação é da coordenadora de Índices de Preços, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes.

Para se ter uma idéia, compilação realizada pela InfoMoney mostra que no período que compreendeu 2003 a março de 2007, a inflação oficial do País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), foi de 29,82%. No mesmo período, os preços de serviços pessoais aumentaram 36,53% – 6,71 pontos percentuais acima do nível geral de preços.

“O impacto dessa última valorização (de R$ 350 para R$ 380) virá no levantamento de abril. Ainda não está inserido no dado de março”, explicou Eulina.

Aumento real

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Desde 2003 até este ano, trabalhadores e aposentados que dependem do mínimo tiveram um aumento real – descontada a inflação – de 23,55%. Em reais, o pagamento passou de R$ 240, em abril daquele ano, para R$ 380, a partir do mesmo mês de 2007.

Já os aumentos nos preços de serviços pessoais – que, de acordo com Eulina, são compostos majoritariamente pelos pagamentos com empregados domésticos – passaram de 0,93% em 1999 (início do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso) para 7,99% em 2006.

Veja a evolução completa na tabela abaixo:

199920002001200220032004200520062007*
0,93%7,27%5,65%7,53%7,82%5,01%9,54%7,99%1,94%


(*): até março
Fonte: IBGE

No Plano Real

Desde o início do plano real até hoje, entre julho de 1994 e março de 2007, o aumento do preço dos serviços pessoais está acumulado em 303,13%, enquanto o IPCA registra alta de 208,87%. Isso representa uma diferença de 94,26 pontos percentuais.