Tragédias naturais apontam demanda por profissionais da área ambiental

Com o registro de catástrofes, especialistas apontam necessidade de inserir mais profissionais do segmento no mercado

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SÃO PAULO – Manejo ambiental, planejamento urbano, poluição nas cidades e lixo estiveram entre os vocábulos mais presentes nos noticiários de janeiro no País. Após tragédias ambientais que atingiram milhares de pessoas em diversas regiões do Brasil, as atenções se voltam para a necessidade de pensar os problemas decorrentes da ocupação desordenada e da falta de atenção com o descarte de materiais e o uso dos recursos naturais. E é aí que os profissionais ligados à prevenção e ação contra os desastres ecológicos entram.

Meteorologistas, engenheiros ambientais, civis, florestais, biólogos, urbanistas e administradores públicos do segmento viraram fontes de inúmeras repercussões sobre a consequência das chuvas e outros fenômenos climáticos e ganham cada vez mais espaço em uma sociedade que se vê obrigada a pensar em ações e na interferência no ambiente.

O meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Lincoln Alves, explica que apesar das recentes catástrofes já é perceptível a evolução científica e técnica dos profissionais ligados ao meio ambiente no País. “Várias instituições têm se articulado com capacidade científica e tecnológica para minimizar o impacto dos desastres. Infelizmente, a liberação de verba para esta área ocorre principalmente após as tragédias, ficando pouco para pesquisa”, lamenta.

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Carreira do futuro
Para Alves, carreiras como engenharia ambiental, civil, hídrica, ciências da natureza e urbanismo devem ter demanda aquecida no futuro e são boas apostas profissionais para estudantes. “Desde que quem escolha esteja consciente de que é necessário, mais do que nunca, ter visão global das situações. É necessário integrar diferentes profissionais de áreas distintas para alcançar resultados”, sugere.

A consultora profissional e psicóloga Lígia Guerra acredita que as chuvas, secas e temporais recorrentes estão fazendo a tradicional pressão por ações emergenciais ser substituída por uma crescente consciência ambiental. “A população está sentindo o impacto de anos sem um olhar atento para essa realidade. E não apenas na questão urbana, mas no manejo de recursos hídricos e na preservação natural”, analisa, apontando para a crescente necessidade de inserir a pauta ambiental em diferentes carreiras.

De fato, a prevenção e ação estratégica em catástrofes climáticas e ambientais está na agenda de diversos estudos que projetam as principais carreiras do futuro. Concluído em abril de 2010, o levantamento The Shape of Jobs to Come (Os tipos de trabalho que estão por vir), da consultoria britânica FastFuture, ouviu 486 profissionais de 58 países, apontando as novas carreiras do futuro. Estudo semelhante foi feito pelo professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Carlos Brandão, em 2008, que chegou a 82 profissões. Em comum entre as duas pesquisas, o destaque para uma nova profissão: o especialista em desastres ambientais, que produziria projetos de prevenção, com planos de contingência e simulações de tragédias para antecipar soluções.

Para Lígia, o País ainda tem um vasto campo a ser explorado pelos novos profissionais. “Veja o que acontece na Austrália, por exemplo. Os profissionais estão integrados e dotados de recursos e o trabalho alcança mais resultados. Além disso, as gerações precisam ter lições de prevenção desde a escola”, comenta.