Sindicalistas pedem salário mínimo de R$ 400 no Congresso

Em reunião com os presidentes da Câmara e do Senado, centrais sindicais refutam salário de R$ 321 proposto pelo Governo

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SÃO PAULO – As discussões para o reajuste do salário mínimo já começaram. O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, entregou na última quarta-feira (30) o projeto de Lei Orçamentária ao presidente do Senado, Renan Calheiros, e ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo.

A proposta passa para R$ 321,00 o salário que hoje vale R$ 300,00. Apesar de o reajuste ultrapassar em 1,94% a inflação do período, os sindicatos não gostaram nada da proposta. Eles se reuniram com os presidentes das duas Casas e reivindicaram um mínimo no valor de R$ 400,00.

Munidos com dois carrinhos de compras, os sindicalistas se dirigiram à reunião. Em um dos carrinhos, foram colocados produtos comprados com R$ 321, enquanto o outro foi ocupado com itens adquiridos com o salário proposto por eles.

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Depois da reunião, os presidentes das duas Casas anunciaram que, na próxima terça-feira (6), será instalada no Congresso Nacional uma comissão para discutir o novo mínimo. “O debate vai ocorrer em torno destes dois valores”, anunciou Rebelo.

Otimismo

Os sindicalistas saíram da reunião otimistas, apesar da indefinição quanto ao valor final do salário. “Apesar de ainda não termos uma solução, a comissão representa uma vitória dos trabalhadores”, declarou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva.

Mesmo assim, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, foi bastante cauteloso com a proposta de R$ 400,00. “Podemos até ir além dos R$ 321,00 já definidos, mas o quanto pode subir, é preciso calcular, negociar”, analisou. Ele prometeu levar uma proposta definitiva ao presidente Lula até o próximo dia 20.

Poder de compra

Mas as discussões não ficaram restritas ao aumento anual do mínimo. Uma das intenções do Governo é aumentar o poder de compra da população menos favorecida.

Neste sentido, o ministro Paulo Bernardo disse que são necessárias políticas que garantam o consumo das classes mais pobres. “Vamos tirar tributos de mais produtos da cesta básica, vamos tirar impostos de uma cesta de produtos da construção civil, provavelmente saco de cimento, areia, brita”, prometeu.

Já o presidente do Senado defende a desoneração do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) dos produtos da cesta básica, medida que elevaria em mais de 20% o alcance do salário mínimo.

Outras reivindicações

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Os sindicalistas não perderam tempo. Além de brigarem por um reajuste melhor do salário mínimo, eles pedem também o reajuste em 13% da tabela do Imposto de Renda (IR) e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas. As informações são da Agência Brasil.