Sem medo de recessão: CEOs do Brasil estão otimistas com o cenário futuro

Na média mundial, otimismo é menor: metade dos gestores estão "muito confiantes" para os próximos 12 meses

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SÃO PAULO – Apesar do medo de recessão que acomete todo o mundo neste momento, para os CEOs (sigla em inglês para diretor executivo) brasileiros, o cenário de negócios deve se manter positivo, com aumento do consumo, dos investimentos por parte das empresas e do crescimento das mesmas. Essa é a expectativa dos CEOs brasileiros não somente para este ano, mas também para o próximo biênio.

Os dados constam da 4ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros, extraídos dos dados da 11ª Annual Global CEO Survey, fundamentados numa amostra de cerca de cem entrevistas realizadas no Brasil, sob a coordenação da PricewaterhouseCoopers.

A amostra abrange empresas de vários setores de atividade com, no mínimo, cem funcionários e faturamento superior a US$ 500 milhões. No total, participaram 1.150 CEOs de 50 países, entre setembro e novembro do ano passado.

Confiança na economia

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Entre os líderes brasileiros entrevistados, 66% disseram estar “muito confiantes” no que diz respeito ao aumento de receita de suas empresas em 2008. Esse índice foi superado em apenas dois dos demais países pesquisados, Índia (90%) e China (73%), que, não por acaso, também constituem economias emergentes. No horizonte de três anos, o percentual no Brasil cai para 62%.

“A estabilidade econômica e política e o compromisso do governo com o controle da inflação e o equilíbrio das contas externas têm sido fatores fundamentais para o aumento da competitividade das companhias brasileiras”, explica o presidente da PricewaterhouseCoopers – Brasil, Fernando Alves.

Na média mundial, o percentual de otimismo é menor: metade dos gestores estão “muito confiantes” com a perspectiva de expansão de suas empresas para os próximos 12 meses. Esta foi a primeira queda no percentual de líderes globais “muito confiantes”. Na edição anterior, este percentual era de 52%. A redução do otimismo ao redor do mundo foi maior entre as grandes companhias, aquelas com receitas anuais superiores a US$ 10 bilhões.

Nos Estados Unidos, onde se vivencia uma situação econômica delicada, com o aumento do desemprego, por conta da crise imobiliária, o número de muito confiantes é ainda inferior: 36%. No ano anterior, esse número havia sido de 53%.

O que preocupa os CEOs

O Brasil cresce, mas na opinião dos CEOs, esse crescimento traz desafios complexos. Para eles, a oferta de energia, as deficiências em infra-estrutura e o excesso de regulação são, nesta ordem, os principais gargalos que precisam ser superados no curto prazo. Mas a pesquisa revelou um avanço: esta foi a primeira vez, desde que a pesquisa passou a ser realizada, em que o item regulação não liderou a lista de maiores preocupações dos executivos. Pelo visto, o Estado vem reduzindo gradativamente seu peso intervencionista na economia.

Hoje, do ponto de vista de 76% dos entrevistados, o maior fator de aflição é a capacidade de o país gerar energia para sustentar o crescimento econômico projetado. Logo depois, vem a questão da infra-estrutura, com 72% dos votos e o excesso de regulamentação, com 70%.

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“A despeito dos avanços econômicos e políticos do país, a oferta de energia e as deficiências em infra-estrutura ainda são obstáculos muito presentes no dia-a-dia das empresas no Brasil”, afirma Alves.

O quarto item na lista de preocupações dos executivos brasileiros quanto ao crescimento futuro dos negócios é a queda na atividade econômica de grandes players globais. Por aqui, 63% dos CEOs apresentam algum grau de preocupação com o assunto.

Recessão amedronta CEOs de todo o mundo

No resto do mundo, a possibilidade de retração nas principais economias é a grande preocupação manifestada pelos líderes das empresas, reflexo da crise que se abateu sobre a economia norte-americana no final do ano passado. Ao redor do mundo, 61% dos entrevistados demonstram temor de que possíveis quadros recessivos em países mais desenvolvidos afetem o crescimento de seus negócios.

O tema provoca preocupações entre os CEOs asiáticos, com 77% deles que demonstraram receio quanto à recessão. O resultado superou até mesmo o percentual obtido nos próprios Estados Unidos, berços da crise (67%). Outra preocupação muito apontada pelos CEOs mundiais (61%) foi a falta de disponibilidade de capital humano qualificado.