Risco e oportunidade: saiba mais sobre a remuneração em ações

Empresas já têm práticas comuns quando o assunto é remunerar com renda variável; diante da crise, ela vale a pena?

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SÃO PAULO – Executivos do alto escalão contam cada vez mais com uma forma alternativa de remuneração: as ações. Elas são usadas por empresas multinacionais há décadas e começaram a se popularizar nos anos 1990. Diante dos positivos resultados que o mercado de renda variável vinha mostrando, parecia um bom negócio receber uma parte do dinheiro em papéis da empresa.

Porém, com a crise financeira internacional, as ações perderam valor e investidores que precisavam vendê-las no curto prazo amargaram perdas. Diante deste cenário, fica a dúvida sobre como funciona a remuneração em ações. Ela vale a pena?

De acordo com o sócio da ARC Executive Talent Recruiting, Francisco Ramirez, a opção pela remuneração em ação é um incentivo de longo prazo e pode acontecer de maneiras diferentes, de acordo com a política de cada empresa.

Retenção de executivos

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Existem algumas práticas mundiais que costumam ser realizadas. A primeira delas é que as ações só podem ser vendidas depois de três anos de o executivo estar na empresa. “É o chamado período de investidura”, conforme explicou Ramirez. O nome em inglês é “vesting period”. Acontece da seguinte maneira: um executivo é contratado e, ao final do primeiro ano, recebe a ação como benefício. Após três anos ele pode converter os papéis em dinheiro.

“Isso é um meio de retenção na empresa. Se a pessoa sair antes, ela perde o direito de ter as ações. Se a pessoa é muito boa, a empresa que contrata irá pagar pelo valor das ações. O executivo diz que perderia R$ 500 mil em ações. A outra empresa paga para tê-lo”.

Como funciona?

Algumas empresas simplesmente dão as ações para os executivos ao final do primeiro ano de trabalho, como um presente, que é chamado “stock grant”. Quem recebe apenas paga os impostos decorrentes da transação, o que acontece em grande parte das remunerações em ações.

Ainda existe a opção de compra de ação, chamada stock options. “Ganha-se a diferença da valorização da ação”. Um exemplo: se quando o executivo ganhou o papel ele valia US$ 10 e, quando vendeu, ele subiu para US$ 15, ganha os US$ 5. Se houver manutenção do valor ou queda, então o executivo não ganha nada. “Com isso, ele vai se esforçar para a empresa ter bons resultados”.

Diante dessa regra, fica mais evidente o problema que passaram alguns executivos que precisavam do dinheiro investido em ações no curto prazo. “Toda a poupança dele foi desvalorizada. É um prêmio, mas que tem risco. Não é como o salário da pessoa”, explicou Ramirez.

Uma outra forma de receber ações é através de uma prática chamada de bônus diferido. “Imagine um executivo que tem um bônus de 100 – seja ele em dólar ou reais. A empresa paga 70 e retém outros 30, estabelecendo uma taxa de remuneração para estes 30, como por exemplo, a taxa de valorização das ações da empresa no período”.

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“Neste caso, se o valor da ação cair ou se mantiver igual, o executivo não perde dinheiro, apenas não ganha. Caso a taxa de remuneração for um percentual não vinculado à valorização das ações, o executivo receberá o valor corrigido”, disse Ramirez.

Não é o bônus

É bom diferenciar a remuneração em ações de bônus. O segundo é pago pelo resultado que o profissional alcançou no período de um ano. “Não há nada que diferencie as práticas de bônus do Brasil daquelas aplicadas na maior parte do mundo. Bônus é uma forma de remuneração muito globalizada e homogênea”, explicou Ramirez.