Restituição de IR e 13º: destino do dinheiro depende da situação de cada um

Saldar dívidas mais altas e avaliar taxas é necessário. Para quem está mais tranqüilo, a dica é pensar no futuro!

SÃO PAULO – Semana recheada de dinheiro extra. Na segunda-feira (17), a Receita Federal depositou o sétimo e último lote de restituição do IR 2007, que chegou corrigido em 7,47% e beneficiou mais de 965 mil pessoas.

Além disso, vence na quinta-feira (20) o prazo para que as empresas paguem a segunda parcela do décimo terceiro salário. Apesar de a bonificação vir com os descontos de INSS e IR sobre o valor total do abono, um dinheirinho a mais nesta época do ano é sempre bem-vindo.

Mas, atenção: o destino desses valores a mais na conta bancária deve levar em consideração uma série de fatores: condição financeira atual, contas de início do ano, objetivos futuros etc.

Por onde começar

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De acordo com o vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira, metade do salário extra deve ser destinada às compras de Natal e os impostos de início de ano. Com a outra metade, indica-se o pagamento de dívidas. “O trabalhador deve evitar usar todo o abono para resolver apenas um problema”, alerta.

Outra dica é antecipar o pagamento de crediários e financiamentos. Segundo Oliveira, o ganho ao investir o décimo terceiro em um fundo de renda fixa, por exemplo, que rende cerca de 0,80% ao mês (rentabilidade bruta), é menor do que o custo do financiamento (ao redor de 6% ao mês). “Sendo assim, não compensa investir o dinheiro e sacar todo mês para pagar as prestações”.

Além disso, vale lembrar que o CMN (Conselho Monetário Nacional) proibiu, no início do mês, a cobrança da TLA (tarifa de liquidação antecipada) aos consumidores que quiserem quitar empréstimos e financiamentos antes do prazo acordado com o banco ou financeira.

De olho no futuro

Quem estiver em uma situação mais confortável pode aproveitar o abono de Natal para diversificar os investimentos. “Como fundos de renda fixa, multimercados e ações”, sugere o especialista da Anefac.

No entanto, antes de escolher a melhor aplicação para você, avalie algumas variáveis fundamentais na hora da decisão: quanto tem para investir? Qual é o prazo disponível? Qual seu apetite para o risco? E qual o retorno esperado?

Diante das respostas para as questões acima, ficará mais fácil escolher o destino do seu dinheiro.

Outro ponto importante a ser avaliado é a incidência de tributos nos investimentos. De acordo com o consultor da IOB, Rogério Ramos, principalmente no que diz respeito ao Imposto de Renda, “quanto maior o tempo de aplicação, menor a tributação”.

O importante é planejar

Independentemente do destino e do valor do abono, o importante é planejar. “Caso contrário, corre-se o risco de acabar gastando tudo em compras desnecessárias, perdendo assim uma boa oportunidade de fazer crescer um pé-de-meia”, finaliza Oliveira.