Representantes dos trabalhadores querem mínimo de R$ 580

Na reunião para discutir o tema, realizada nesta quinta, governo defendeu a regra atual, que leva em conta a inflação e o PIB

SÃO PAULO – Representantes do governo e das centrais sindicais não entraram em consenso sobre o próximo reajuste do salário mínimo. Enquanto o governo quer manter a fórmula atual, os sindicatos querem uma exceção à regra para que o mínimo alcance os R$ 580.

Pelo cálculo que está em vigor, o reajuste seria calculado levando-se em conta a inflação dos últimos 12 meses mais a variação do PIB (Produto Interno Bruto) dos últimos dois anos. Com a conta, o reajuste elevaria o salário mínimo a quase R$ 540, contemplando apenas a inflação do período.

Para os representantes dos trabalhadores, é preciso abrir uma exceção, uma vez que o PIB de 2009 ficou negativo em 0,2%. “Dado PIB negativo em 2009, queremos discutir aumento real excepcional para janeiro de 2011, onde a proposta é de R$ 580, mas mantendo a política permanente [de reajuste do mínimo] a partir de 2012 até 2023”, afirmou, segundo a Agência Brasil, o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Arthur Henrique.

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Manutenção da política
Para o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, contudo, é preciso manter o critério já estabelecido para o reajuste. Para ele, a proposta de abrir uma exceção no próximo ano é um “ruído momentâneo”. O ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, foi além. “Se abrirmos negociação todos os anos, não teremos critério”, disse.

O encontro aconteceu nesta quinta-feira (18), em São Paulo. Nele foram apresentadas outras propostas que não foram discutidas, como o reajuste das aposentadorias e a correção da tabela do Imposto de Renda. A expectativa é que esses temas sejam tratados na próxima reunião, prevista para acontecer na próxima terça-feira (23), em Brasília.

Além dos R$ 540
Na última quarta-feira (17), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dolci, afirmou que o salário mínimo poderá ultrapassar os R$ 540.

“O governo reconhece que a crise não foi colocada pelos trabalhadores”, afirmou o ministro, também de acordo com a Agência Brasil. “O espírito da política é ter a cada ano um reajuste. Temos de continuar dando aumento, real sem cometer irresponsabilidade”, disse.