Positivo ou negativo? Especialistas divergem sobre os efeitos da alta no mínimo

Para uns, o reajuste no salário mínimo fará o feitiço virar contra o feiticeiro; outros acreditam que a economia irá melhorar

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SÃO PAULO – O reajuste de 12,05% no salário mínimo, anunciado na última sexta-feira (30), pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, entrou em vigor no último domingo (1) e trouxe um aumento real de 6,39% na renda dos trabalhadores. Entretanto, segundo a professora de Análise Econômica da Escola de Administração de Empresas da FGV (Fundação Getulio Vargas), Celina Ramalho, a alta foi um tiro no pé.

“Novas contratações serão muito menos prováveis. Folhas de pagamento não vão fechar. Essa política salarial de reajuste de salário mínimo acabou fazendo o feitiço virar contra o feiticeiro. Algo que seria benéfico aos trabalhadores poderá se reverter e ser maléfico mesmo. O malefício poderá vir na forma de mais desemprego”, disse, conforme publicado pela Agência Brasil.

Na visão da professora, o aumento acima da inflação do mínimo pode agravar a complicada conjuntura de desemprego, que se configurou nos últimos seis meses.

Positivo

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Apesar de admitir que o reajuste do salário mínimo irá impactar de forma negativa as contas da Previdência Social, o economista, também da FGV, Rogério Sobreira, acredita que a medida trará benefícios para a economia brasileira, já que vai ampliar a renda das camadas mais pobres da população.

“Vai ajudar a manter, pelo menos parcialmente, os gastos de consumo das famílias (…) Foi correta a intenção do governo de manter o nível de consumo o mais intocado possível, para compensar os efeitos da crise.”

Opinião semelhante possui o presidente do Conselho Empresarial de Varejo e da ACRJ (Associação Comercial do Rio de Janeiro), Daniel Plá. “Será uma injeção na economia de mais de R$ 23 bilhões. E um terço disso vai para o comércio”, afirmou.

Por outro lado, ele considera que o aumento irá prejudicar as famílias de classe média, que possuem empregadas domésticas, e as empresas que pagam salário mínimo para seus funcionários, pois os custos com Fundo de Garantia, 13º salário, entre outros, ficarão praticamente dobrados.

Entidades

No que diz respeito aos representantes dos trabalhadores e dos empregadores, como a Força Sindical, a Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), todos se mostraram a favor do reajuste, apesar do momento delicado pelo qual passa a economia mundial.

“Este é um momento delicado para o aumento de gastos, mas o governo deve contribuir o máximo que seu caixa permitir”, declarou em nota, segundo a Agência Brasil, a Fiesp.

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Também em nota, a Força Sindical disse acreditar que o aumento do mínimo irá contribuir para fortalecer a economia e o mercado interno, resultando em mais consumo, produção e, por consequência, mais empregos.

Já na visão da Fecomercio, “o aumento do salário mínimo amplia o consumo por meio do ganho real de renda de parte das famílias”, mas, “por outro lado, reduz a capacidade do governo em investir. Não chega a ser uma soma que gere grande estímulo para a economia, mas tem um impacto importante no consumo e na distribuição de renda.”