Método de reajuste do salário mínimo deveria ser revisto, diz professora da FGV

Professora entende que aumento do mínimo deveria ser discutido a cada ano, observando a situação fiscal e econômica do país

SÃO PAULO – Na última quarta-feira (31), o Governo enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei do Orçamento da União para 2012, que prevê o reajuste do salário mínimo para o próximo ano.

Na opinião da professora de economia da FGV (Fundação Getulio Vargas), Virene Matesco, entretanto, o método de reajuste do mínimo deveria ser revisto.

De acordo com o projeto enviado ao Congresso, em 2012, o salário mínimo em vigor deverá ser corrigido em 13,6%, passando de R$ 545 para R$ 619,21, a partir de janeiro. O valor seguiu acordo firmado pelo então presidente Lula com as centrais sindicais e tem como regra a utilização da inflação do ano anterior e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes.

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Para Virene, contudo, o percentual de aumento do salário mínimo deveria ser discutido a cada ano, levando em consideração a situação fiscal e econômica do país. Segundo ela, conforme publicado pela Agência Brasil, o reajuste de 2012 será muito elevado “para um momento tão difícil da situação mundial”, sendo que o método é “uma herança maldita de indexação da economia”.

Positivo
Apesar de entender que não existe nenhum reajuste de salários ou preços que possa ser feito de uma única vez, sem levar em consideração diversos fatores, o professor de economia da UnB (Universidade de Brasília), Newton Ferreira Marques, vê algo de positivo no aumento do mínimo para o próximo ano.

Mesmo longe do ideal, ele considera a correção prevista substancial. “Antigamente, falava-se que um salário de US$ 100 seria interessante, porque a gente superaria países como o Paraguai. Hoje, se a gente imaginar que o dólar ficará a R$ 1,60, temos esse salário mínimo de R$ 619,21. Isso dá quase US$ 400”, diz.