Medidas do governo ajudam, mas não são suficientes para elevar consumo, diz ACSP

Na opinião do economista-chefe da Associação, crédito ainda não chega na ponta; liberar mais compulsório seria mais eficiente

SÃO PAULO – Na opinião do economista-chefe da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo, as medidas anunciadas pelo governo, na última quinta-feira (11), ajudam, mas são suficientes para elevar o consumo de forma significativa.

“O pacote irá refletir de alguma forma no consumo, especialmente se o desemprego não aumentar e o trabalhador se sentir seguro. Por outro lado, elas não são suficientes para fazer com que o crédito chegue na ponta. Para isso, seria necessário liberar mais compulsório, ou mesmo, adotar medida, já tomada anteriormente no Brasil, de liberar compulsório vinculado às pequenas e médias empresas”, disse.

Tempo

O economista disse, ainda, que a medida com maior impacto no comércio em geral é a redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), mas lembrou que ela não atinge todas as formas de concessão de financiamentos, como o crediário de loja.

Quanto às novas alíquotas do Imposto de Renda para 2009, Solimeo acredita que os efeitos só serão sentidos no ano que vem, e alerta que, se as medidas não entrarem imediatamente em vigor, poderá trazer o efeito contrário.

“As medidas foram tomadas tardiamente, houve demora na reação, pois subestimamos a crise. Mas, elas ajudarão, mesmo que pouco, se entrarem em vigor o quanto antes. Caso contrário, não farão efeito”, diz.

Pacote

Com as medidas anunciadas na última quinta-feira (11), o governo espera aumentar a renda disponível para que os brasileiros voltem a consumir, reduzir o custo do crédito e manter os postos de trabalho.

Além da criação de novas alíquotas (de 7,5% e 22,5%), acrescentadas às já existentes, para o Imposto de Renda Pessoa Física, e da redução do IOF, dos atuais 3% ao ano + 0,38%, para 1,5% + 0,38%, outra medida diz respeito ao IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), com a diminuição da alíquota no setor de automóveis. Por fim, será criada uma nova linha de giro de crédito para ajudar as empresas que tenham financiamentos no exterior e diminuir a pressão sobre o crédito interno, principalmente em relação aos custos.