Mantega afirma que Governo não estuda correção na tabela do IR

A afirmação contraria o que disse o ministro da Secreatria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, na reunião com as centrais sindicais

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SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou, nesta quinta-feira (27), que a correção da tabela do Imposto de Renda esteja sendo estudada pelo Governo.

A afirmação contraria o que disse o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, na reunião de quarta-feira (26) com as centrais sindicais. De acordo com os sindicatos, o ministro teria acenado para a possibilidade de correção em 4,5%.

Os representantes dos trabalhadores reivindicam uma correção de 6,46% na tabela. Além disso, os sindicalistas também discutiram o reajuste do mínimo. Contudo, de acordo com a CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), o Governo quer debater os dois assuntos separadamente.

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Mas, para o presidente da central, Antonio Neto, essa separação não faz sentido. “Ambos [assuntos] representam um ganho para o trabalhador. O primeiro é justo do ponto de vista social e econômico e o segundo impede um confisco de salário”, ressaltou Neto, por meio de nota.

Salário mínimo
Na reunião, as centrais sindicais defenderam o mínimo de R$ 580, diferente do valor aprovado pelo Governo, de R$ 545. Os representantes dos trabalhadores afirmaram que o valor reivindicado só gera ganhos para o Governo e para as empresas.

“Nós temos estudos que mostram claramente que o investimento do governo no salário mínimo, além da questão social de distribuir renda e melhorar a vida do povo, gera uma grande arrecadação para os cofres públicos. Cada real concedido de aumento, R$ 0,52 centavos retornam para os cofres em impostos. Se medirmos o montante geral – setores privado e público – o ganho é maior”, afirmou Neto.

“Segundo o Dieese, um aumento de R$ 30,00 no mínimo gera um gasto anual de R$ 7,4 bi para a Previdência. Mas a arrecadação total dos entes federados aumenta R$ 8,8 bi, pois o salário mínimo amplia a renda dos trabalhadores na agricultura, na iniciativa privada, dos domésticos, entre outros. Isso quer dizer que o governo arrecada mais do que gasta”, destacou o sindicalista.

Sem consenso
Apesar das discussões, a reunião terminou sem consenso. Um outro encontro foi marcado para o próximo dia 2, em Brasília. “Deixamos claro que não podemos interromper o processo de valorização do mínimo que foi acordado entre o governo Lula e as centrais”, disse Neto.