Mais tempo com o filho recém-nascido: os homens também querem!

"Eles querem estar ao lado da esposa e do filho. Eles sentem necessidade de cumprir o papel de pai", diz especialista

SÃO PAULO – Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que aumenta de cinco para 15 dias a licença-paternidade. A proposta é da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), mesma autora do projeto que ampliou a licença-maternidade de quatro para seis meses.

De acordo com a especialista em legislação trabalhista e previdenciária do Cenofisco (Centro de Orientação Fiscal), Andréia Antonacci, não só as mulheres querem ficar em casa após o nascimento de um filho. Eles também querem.

“Eles querem ajudar, estar ao lado da esposa e do filho. Eles sentem necessidade de cumprir o papel de pai. Daí o interesse pela ampliação da licença-maternidade”, afirma a especialista.

Direitos do pai

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Segundo Andréia, as empresas podem não ser muito favoráveis à medida em um primeiro momento, já que o ônus é delas. “Nesse período de licença, as empresas são obrigadas a pagar tudo normalmente: salário, INSS, FGTS. Os 15 dias também seriam inclusos no 13º salário, férias”.

Questionada sobre se existe risco de demissão, caso a medida seja sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela diz que não. “Isso depende muito da relação entre empresa e empregado. Mas acredito que o que pode acontecer é as empresas preferirem empregar homens sem perspectiva de serem pais, como profissionais mais velhos”, opina.

O bom senso diz que o homem deve avisar que será pai o quanto antes. “É importante avisar que a companheira está grávida. Não dá para chegar um dia antes ou no mesmo dia e avisar que está indo para o hospital. A empresa precisa se preparar”.

A especialista avisa que pais separados têm o mesmo direito, desde que comprovem que o filho é seu, o que pode ser feito por meio da certidão de nascimento. “Isso porque as empresas são fiscalizadas”, explica.