RADAR INFOMONEY Programa desta quarta fala sobre a fusão entre Localiza e Unidas e a disparada das ações do IRB - será que o jogo virou para a empresa na Bolsa?

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Maioria dos trabalhadores conseguiu reposição salarial pelo INPC em 2002

Cerca de 54,7% das 499 categorias analisadas obteve reajuste acima do INPC, segundo percentual mais baixo desde 1996

SÃO PAULO – Segundo informações do relatório do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) publicado nesta quarta-feira, dia 19, cerca de 54,7% das negociações coletivas de trabalho resultaram em reajustes iguais ou superiores à variação anual do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do IBGE no ano passado. Em 2002, o INPC acumulou alta de 14,74%.

O estudo acompanha as negociações salariais de cerca 499 categorias profissionais em todo o país. A região Sudeste responde por 46% das informações coletadas, em seguida ficaram a região Sul (32%) e o Nordeste (12%). Em relação aos setores econômicos, a maior participação fica com a indústria, que responde por 53% das categorias, em seguida ficaram os setores de serviços (31,5%) e de comércio (12%).

Segundo pior resultado desde 1996

Apesar de positivo, especialmente se considerarmos o fraco desempenho da economia, e a queda nas vendas do comércio e indústria, o resultado ficou abaixo do registrado no ano anterior, quando 64% das categorias analisadas pelo Dieese conseguiu reajustes iguais ou superiores à inflação medida pelo INPC. Vale lembrar que naquele ano a inflação foi bem menor, de cerca 9,44%.

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O Dieese divulga seu relatório do balanço de negociações salariais no país desde 1996. Com base na análise dos dados históricos, o resultado alcançado no ano passado teria sido o segundo pior desde então, superando apenas os resultados obtidos no ano de 1999, quando o real sofreu uma maxi-desvalorização frente ao dólar e a inflação medida pelo INPC ficou em 8,43%.

Além disto, o resultado teria sido semelhante ao registrado em 1997, quando 55% das categorias conseguiu reajuste acima da inflação. Em 1999, exatamente metade das categorias analisadas conseguiu reajustes acima da inflação. Os níveis mais altos de renegociação desde 1996 foram alcançados nos anos de 2000 (67% das categorias) e 1998 (65%).

Cerca de 3,3% tiveram reajustes de mais de 2% acima do INPC

O dado que mais surpreende, entretanto, é a constatação de que entre as 273 categorias que conseguiram renegociar aumentos iguais ou superiores ao INPC, metade na verdade obteve reajustes acima da variação do INPC.

Entre estas categorias, a maioria absoluta, cerca de 88% delas, obteve reajustes que superaram o INPC em no máximo 2%, enquanto nos demais casos o reajuste superou os 2%. Desta forma, do total de 499 categorias analisadas o equivalente a 3,3% delas teria obtido um reajuste real de mais de 2% sobre o INPC.

Este percentual é bastante inferior ao registrado no ano de 2001, quando 11% das categorias se encaixavam nesta classificação, e do que o resultado obtido em 2000, quando este percentual era ainda maior, de 15%.

Indústria e comércio têm melhor desempenho

Mantendo a tendência que já havia sido verificada na primeira metade do ano passado, as categorias profissionais pertencentes à indústria e ao comércio obtiveram os melhores resultados durante as renegociações salariais, com respectivamente, 65% e 63% dos reajustes tendo superado a variação do INPC.
Tendência distinta foi registrada no setor de serviços, em que a maior parte das categorias, ou seja, cerca de 69% delas, não conseguiu um reajuste acima da inflação. Não bastasse ter registrado o pior desempenho entre os setores acompanhados pelo Dieese, o setor serviços também registrou seu pior desempenho nos últimos quatro anos, visto que em 1999 este percentual foi de 58%, em 2000 de 37% e em 2001 de 43%.

Sul teve melhor desempenho

Entre as categorias de abrangência nacional nenhuma delas conseguiu repor as perdas com a inflação, replicando a tendência já verificada nos dois anos anteriores. Em termos regionais o melhor desempenho ficou com a região Sul, onde 76% das categorias obteve reajustes acima do INPC.

Outro dado relevante da pesquisa se refere ao fato de que, entre as categorias que conseguiram reajustes acima do INPC, 13,1%, ou cerca de 36 categorias, concordaram em parcelar este aumento. Dentre as categorias que parcelaram seus reajustes, 20 ou 55% pertenciam ao setor de serviços, confirmando as difíceis condições de reajuste deste segmento da economia.

Frente ao ICV, situação é pior

Se ao invés do INPC utilizarmos o ICV (Índice de Custo de Vida do Dieese) como parâmetro de inflação no período, cerca de 50% das 499 categorias analisadas teriam conseguido obter reajustes iguais ou superiores ao índice.

Apesar de o ICV-Dieese ter acumulado variação abaixo do INPC no acumulado do ano, apontando inflação de 12,93%, o fato de 43% das categorias analisadas terem obtido reajuste exatamente nos três meses (fevereiro, maio e junho) em que a variação acumulada de 12 meses do ICV superou à do INPC justificaria a discrepância.