RADAR INFOMONEY AO VIVO Privatização de refinarias da Petrobras é julgada pelo STF; entenda o que está em jogo

Privatização de refinarias da Petrobras é julgada pelo STF; entenda o que está em jogo

Maioria dos demitidos por conta da crise são homens, diz pesquisadora do Ipea

Mas este fato não configura vantagem às mulheres, que, em crises anteriores, foram as mais afetadas

SÃO PAULO – A pesquisadora da Diretoria de Estudos Sociais do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Natália de Oliveira Fontoura, afirmou que, até o momento, a crise econômica mundial causou mais desemprego entre a população masculina. Porém, isso não implica, necessariamente, uma vantagem às mulheres.

A afirmação foi feita durante audiência pública, realizada na quarta-feira (3), pela comissão especial que analisa os impactos da crise nas áreas de serviço e emprego, na Câmara dos Deputados, segundo informações da assessoria de imprensa da Casa.

Para a pesquisadora, o cenário não configura a preferência pelas mulheres no mercado de trabalho. A verdade é que muitos dos cortes foram realizados em empresas da indústria de transformação e da construção civil, que, tradicionalmente, empregam mais homens. Outro possível motivo para o fenômeno são os salários mais baixos das mulheres, na comparação com os ganhos dos homens.

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Para se ter uma ideia, entre os quase 586 mil postos de trabalho fechados de outubro do ano passado a abril deste ano, no País, somente 0,9%, o equivalente a 5.273, eram ocupados por mulheres. De acordo com Natália, em alguns setores ocorreu, inclusive substituição de homens por mulheres. É o caso da construção civil, que demitiu 63.082 empregados, enquanto contratou 3.745 mulheres.

Salário de mulheres pode cair ainda mais

Natália afirmou que, em crises econômicas anteriores, as mulheres foram as mais afetadas e nada impede que isso volte a ocorrer. “Como mais mulheres tendem a buscar emprego nesse momento, pode haver desemprego ainda maior entre elas e a remuneração pode cair ainda mais”, destacou. Atualmente, a taxa de desemprego feminino é da ordem de 54%, contra 26% do masculino.

Proteção

Autora do requerimento para realização da audiência, a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) defende que, neste momento, o Brasil tem de adotar “políticas afirmativas” para mulheres que são chefes de família. Em sua opinião, o País poderia adotar medidas de proteção do emprego para mulheres ou estender o período de recebimento do seguro-desemprego para essa população.

O relator da comissão, deputado Vicentinho (PT-SP), afirmou que pretende levar seu texto à votação até o dia 10. E, segundo o parlamentar, “o trabalho não seria completo sem a participação das mulheres”.