Inflação tem maior peso para paulistano que ganha mais

As maiores altas de preços em fevereiro foram verificadas nos grupos de Saúde e Transportes, acessíveis àqueles com renda média de R$ 2.792,90 mensais

SÃO PAULO – Os paulistanos viram os preços subirem em fevereiro. O ICV (Índice de Custo de Vida) da capital registrou variação positiva de 0,21% no período, atingindo mais as famílias pertencentes ao estrato 3, com maior nível de renda, e com menor impacto para aquelas com poder aquisitivo mais baixo.

As informações, divulgadas nesta quinta-feira (08), fazem parte do ICV (Índice de Custo de Vida) apurado mensalmente na capital paulista pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos).

Desaceleração da inflação

O levantamento mostra que houve desaceleração da inflação em todas as camadas sociais. O estrato 3, que analisa as famílias com renda mais alta (R$ 2.792,90), viu os preços subirem 0,27% em fevereiro. A alta de janeiro foi superior, de 1,11%.

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O ICV para o estrato 1, composto por um terço das famílias mais pobres, que contempla os domicílios nos quais a renda média salarial fica em R$ 377,49 ao mês, registrou variação de 0,14%, após ter subido 0,63% no primeiro mês do ano.

Para as pessoas inseridas no estrato 2, com renda mensal média de R$ 934,17, os preços subiram 0,16% em fevereiro, frente à alta de 0,78% notada um mês antes.

Impactos distintos para cada faixa de renda

A inflação foi maior para as famílias de alta renda porque cada grupo de preços tem um impacto distinto sobre os três estratos de renda. Assim, a maior elevação ocorrida em fevereiro, a de Saúde (1,08%), motivada principalmente pelos aumentos nos seguros e convênios médicos, teve mais impacto no cálculo da taxa do estrato 3, para o qual contribuiu com 0,19 pp. Para os demais estratos de renda, as contribuições foram menores: 0,13 pp (estrato 1) e 0,09 pp (estrato 2).

Comportamento semelhante ocorreu no grupo Transporte (0,27%), pois os aumentos concentraram-se no subgrupo individual e no ônibus escolar, resultando em maior prejuízo para as famílias pertencentes ao estrato 3, com contribuição de 0,07 pp.

A alta da Alimentação (0,32%) indicou comportamento inverso ao apresentado pelos grupos Saúde e Transporte, em relação ao poder aquisitivo das famílias. Ou seja, as famílias de menor nível de rendimento, estrato 1, tiveram sua taxa acrescida de 0,13 pp contra apenas 0,07 pp no cálculo da taxa do 3º e de 0,10 pp para o 2º estrato de renda.

Acumulado

Nos últimos 12 meses, o índice geral aponta alta de 2,90%. Neste período, os mais atingidos com o resultado foram os pertencentes ao estrato 1 (3,18%). Para o estrato 2, o avanço teve impacto de 2,65% e para o 3, houve alta de 2,98%.

No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o índice geral é de 1,16%, com maior impacto para as famílias de maior poder aquisitivo (1,38%), seguidas do estrato 2 (0,94%) e estrato 1 (0,78%).