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Como se tornar um bom analista de ações, segundo profissional da XP Investimentos

Betina Roxo, analista fundamentalista de ações da XP Investimentos, foi a convidada do programa Carreiras do Mercado deste mês       

SÃO PAULO – Com a Bolsa batendo recordes neste 2019, a profissão de analista de ações cresce em evidência - graças à necessidade de informar os investidores, cada vez mais numerosos, sobre as empresas listadas.

Para tirar todas as dúvidas sobre essa carreira, a convidada do programa Carreiras do Mercado deste mês foi Betina Roxo, analista de ações da XP Investimentos. Ela contou um pouco da sua trajetória, falou de certificações, do dia a dia da profissão e deu dicas para quem quer trabalhar na área.   

Formada em economia pelo Insper, ela é analista fundamentalista. “Basicamente, a análise fundamentalista é a recomendação de compra ou venda uma ação, ou uma recomendação neutra para o papel. É o estudo de projeções dos resultados das empresas para fazer um cálculo de quanto a gente acha que vale a ação dessa empresa e assim fazer a recomendação”, explica. 

Além da fundamentalista, há a análise técnica, que utiliza como premissa o estudo de gráficos para analisar preços e avaliar seu comportamento ao longo do tempo. Os analistas de cada especialidade são profissionais de equipes diferentes, enquanto a primeira tem o foco mais no médio e longo prazo, a segunda é uma análise focada no curto prazo.  

Certificações 

Segundo Betina, para um analista fundamentalista atuar é obrigatório que ele ou ela tire o certificado CNPI (Programa de Certificação Nacional), para estar de acordo com a Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais) e dentro das exigências da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).  

Para além dele, ela sugere o CFA (Chartered Financial Analyst), que é um dos certificados mais concorridos do mercado financeiro no Brasil e no Mundo. Ao redor do mundo o CFA Institute tem mais de 165 mil pessoas certificadas, segundo a assessoria de imprensa. A prova é dividida em três etapas, todas pagas e elaboradas em inglês.  

“Não é obrigatório, mas é muito bem visto no mercado financeiro. É um diferencial”, diz a analista. Para saber mais sobre o certificado, assista à edição do Carreiras do Mercado com Mauro Miranda, presidente do CFA Society Brazil.  

O que um profissional precisa para ser um analista de ações  

Para Roxo umas principais características do analista fundamentalista de ações é que o profissional precisa ser completo: ter as hard e soft skills bem desenvolvidas.  

Acho que é importante desenvolver várias habilidades. Quando comecei a procurar qual área do mercado financeiro eu queria, escolhi a área de research também por isso. Tem que ter a habilidade analítica, saber fazer contas e usar planilhas. Mas a parte de comunicação e atendimento ao cliente são igualmente importantes”, explica.   

Segundo ela, hoje o mercado cresceu muito para pessoa física. Então saber informar o cliente que nem sempre entende o “economês” é bem importante. “Precisa se comunicar de forma mais simples e ter flexibilidade para explicar de várias maneiras o assunto que você está analisando”, diz.  

Além disso, precisa escrever bem. “Antes de falar qualquer coisa nós precisamos montar um relatório seguindo exigências da CVM”, diz. Cada analista escreve o seu em duas versões, uma em português e uma em inglês para atender clientes estrangeiros.  

Outra dica é que um analista tem um trabalho investigativo. “Não é só ficar preenchendo números em planilhas e ficar fazendo conta. Você precisa entender o que está acontecendo no setor, falar com pessoas da indústria, fazer ligações, visitar a empresa, falar com quem já trabalhou na empresa. Precisa de várias perspectivas para escrever o relatório”, afirma.   

A profissional acredita que, para ser um analista de ações, o profissional precisa estudar e gostar de finanças e economia. “A análise fundamentalista é baseada em projeção de fluxo de caixa. Projeção de resultadosentão entender bem como funciona é bem importante. Além disso, querer aprender e se questionar, é um ponto importante para fazer o trabalho”, afirma.  

Dia a dia da profissão  

Ela explica que um analista de ações costuma acordar cedo para uma reunião matinal com as outras áreas da instituição financeira em que trabalha. “A reunião serve para mapear tudo o que pode acontecer no dia que pode impacta a ação, macroeconomia, política. Às vezes, outro setor pode impactar a ação que o analista cobre”, diz.  

Ela explica, ainda, que é necessário estar antenado o tempo todo às notícias e acompanhar de perto os setores que cobre. 

Acordo às seis horas e às sete já estou no trabalho para ler notícias e entender o que pode acontecer ou está acontecendo. Muitas vezes acontece alguma coisa inesperada e tem que correr para fazer um cálculo para ver como a ação será o impactada e montar o relatório. Tudo isso sob pressão, porque o tempo para fazer a conclusão, montar o relatório e divulgá-lo é curto”, afirma.

Ou seja, o analista precisa entender a informação, tirar uma conclusão, escrever o relatório para recomendar uma ação de forma rápida, com qualidade e credibilidade.   

Desafios do analista de ações  

Para ela, o maior desafio é desenvolver o conjunto de habilidades que a profissão exige: escrever bem, ser analítico e se comunicar de forma eficaz.

“No geral você é bom ou na parte de analítica ou na parte de comunicação. Mas ter equilíbrio entre as partes é crucial e nem todo mundo é assim, precisa de tempo para aprender. Eu mesma quando comecei era muito mais analítica do que comunicativa, mas fui desenvolvendo”, afirma.   

Ao mesmo tempo, o maior desafio também é sua maior motivação: ser um profissional completo. 

Não precisar ficar preso em desenvolver uma única habilidade, temais de um campo de atuação. Além disso, o relacionamento com cliente, empresas, pessoas também é motivador. Trabalhar para a pessoa física é gratificante porque você vê que está ajudando a pessoa a investir melhor”, diz.  

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