Revolução

“Efeito home office” pode criar 15 milhões de empregos na próxima década nos EUA

Profissionais da área avaliam que o trabalho remoto pode ajudar a superar alguns efeitos da pandemia no futuro

SÃO PAULO – O avanço do novo coronavírus modificou as relações de trabalho diante da necessidade de quarentena para diminuir a propagação da Covid-19.

Os grandes prédios empresariais cheio de escritórios lotados e com uma rotina intensa de trabalho, localizado nos centros financeiros e comerciais das principais cidades do mundo cederam espaço para reuniões por videoconferências que, na maioria das vezes, acontecem em um cômodo/espaço improvisado.

A crise e o aumento do home office vêm ensinando às empresas que as pessoas ainda podem realizar seu trabalho, mesmo em condições abaixo do ideal, e é possível ajudar a conter os desdobramentos da pandemia na economia, como o desemprego em massa.

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Analistas apontam que uma estratégia para aumentar os níveis de emprego nos Estados Unidos e em todo mundo é que as empresas apliquem tudo o que aprenderam sobre trabalho remoto durante esse período de distanciamento social.

Se elas estiverem dispostas a contratar trabalhadores remotos e flexíveis, abrirão oportunidades para profissionais recém-desempregados e para grupos de trabalhadores que tradicionalmente se sentam à margem da força de trabalho, como idosos, mães e profissionais sem experiência.

Em entrevista ao site Business Insider, Julia Pollak, economista da empresa de recrutamento ZipRecruiter, disse que cenário pode gerar ganhos para ambos os lados. A economista estima que as contratações na modalidade de trabalho remoto poderá aumentar o emprego geral nos EUA em até 10%, ou cerca de 15 milhões de empregos na próxima década.

Novas carreiras

O trabalho remoto pode criar novas oportunidades de carreira para alguns profissionais por conta do desenvolvimento de novas tecnologias que visam integrar as equipes de trabalho por videoconferência e mensagens instantâneas, tornando o home office mais fácil.

Para Jake Schwartz, CEO da General Assembly, escola de tecnologia sediada em Nova York presente em quatro continentes, o surto de coronavírus está apenas acelerando a mudança para o trabalho flexível que muitas empresas já estavam realizando.

A entidade possui funcionários em todo o mundo, muitos dos quais treinam outras equipes a melhorar suas práticas de teletrabalho.

Nos Estados Unidos, as buscas na plataforma ZipRecruiter, por emprego que incluem o termo “online” aumentaram 339% entre fevereiro e março.

Inclusão

Segundo Erica Keswin, estrategista e autora do livro “Bring Your Human to Work” (em tradução literal: Traga seu ser humano para o trabalho), as empresas ficarão mais abertas a contratar profissionais mais flexíveis após a pandemia. Alguns exemplos são pessoas que trabalham com flexibilidade, o que inclui trabalhadores que não podem ou preferem não ficar em um escritório o dia inteiro, ou que têm dificuldade em encontrar empregos formais.

Para alguns trabalhadores, essa mudança pode abrir oportunidades de conseguir o emprego dos seus sonhos.

Daniel Chait, CEO da empresa de software de recrutamento Greenhouse, usou o exemplo de alguém que vive fora dos EUA, mas sempre quis trabalhar na indústria do entretenimento. Provavelmente, existem algumas funções que eles podem desempenhar mesmo estando a quilômetros de distância de Hollywood, explica.

As mães podem ser o público mais beneficiado na mudança para o trabalho flexível. As jovens profissionais, em particular, são frequentemente vistas como riscos de fuga: alguns empregadores supõem que essas mulheres em breve iniciarão uma família, o que as fará priorizar as crianças em detrimento do trabalho.

“Todo mundo é um pai e mãe que fica em casa agora”, diz Chait. E muitos desses pais ainda são eficazes no trabalho, mesmo que precisem atender e receber e-mails depois que os filhos vão dormir. (Chait disse que liderou algumas reuniões virtuais recentemente com o filho de 8 anos sentado no colo.)

Muitos empregadores que antes tinham receio de contratar mães ou pais em geral “veem os pais que trabalham como um bom ajuste para diferentes tipos de trabalho “, acrescentou Chait.

Movimento pode expandir a criação de empresas remotas

Certas funções e indústrias se tornarão mais acessíveis aos trabalhadores flexíveis. Julia Pollak, da ZipRecruiter aponta a telemedicina como um excelente exemplo de um setor relativamente novo, aberto a trabalhadores flexíveis.

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Durante a pandemia de coronavírus, muitas pessoas têm receio de ir a um hospital ou consultório médico e isso ampliou as consultas através de videoconferência.

Pollak afirma que esses atendimentos podem ser adequados para um médico semi-aposentado ou um profissional de saúde que queira trabalhar em horários flexíveis. Um aumento na contratação de telemedicina pode ajudar a aliviar a escassez de mão-de-obra na área e também beneficiaria os consumidores – já que um compromisso virtual é normalmente mais acessível do que uma visita pessoal.

Apesar das incertezas diante do período, os resultados alcançados com o teletrabalho podem indicar novas formas de como o trabalho pode ser feito nas empresas e em determinados setores. “Quase todas as empresas estão aprendendo um novo conjunto de comportamentos agora em torno do trabalho remoto. Quando tudo isso acabar, essas lições de trabalho remoto ainda estarão conosco”, reforça Chait.

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