Dia do engenheiro: confira as perspectivas para a profissão em 2009

Haverá redução de bônus, já que as empresas irão lucrar menos. Salários também correm o risco de diminuir

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SÃO PAULO – O Brasil rapidamente se urbaniza, favorecendo o ramo da construção civil. As indústrias brasileiras se internacionalizam. As multinacionais continuam chegando por aqui, demandando engenheiros químicos, automobilísticos, eletricistas, civis… Os bancos também intensificaram a contratação desses profissionais.

“As possibilidades de geração de trabalho para engenheiros são enormes. Na construção civil, por exemplo, o papel do engenheiro é central. Nos últimos dois anos, o profissional da área passou a ser ainda mais valorizado, obtendo um ganho real no salário muito alto”, explica o presidente da Ecoesfera Empreendimentos Sustentáveis, Luiz Fernando Lucho do Valle.

“Os engenheiros passaram a ser contratados até mesmo para administrar empresas, porque muitos deles saem da faculdade preparados para tal. E ganharam tamanho destaque no mercado que ocupam até cargos públicos executivos. Podemos encontrar engenheiros entre prefeitos e governadores”.

Mas, no ano que vem…

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Mas será que esse cenário irá se manter em 2009? Não. A crise deve afetar a maioria das empresas, independentemente do ramo de atuação ou do porte. O motivo são as condições econômicas do País, tais como crédito e consumo restrito.

“A crise representa risco à atividade de engenharia. Um dos setores que mais parou, nos últimos anos, foi o da construção civil. Algumas empresas começaram a demitir. O motivo é que, como o brasileiro está menos seguro com relação ao emprego nos próximos meses, postergou a compra de casas, apartamentos. Como conseqüência, as empresas diminuíram o número de lançamentos”, analisa o presidente da Ecoesfera.

Para ele, haverá redução de bônus, já que as empresas irão lucrar menos. Os salários dos engenheiros também correm o risco de diminuir. “É possível que boa parte do ganho real que os engenheiros tiveram nos últimos anos venha a diminuir”.

O que fazer

A dica de Valle é deixar de ser especialista no que faz para ser generalista, tentando entender as diversas áreas da empresa, como comercial, marketing e até TI (tecnologia da informação).

“Após a faculdade, o engenheiro tende a se especializar em determinada atividade. Porém, com a crise, as empresas vão precisar de profissionais generalistas, com visão ampla e multidisciplinar, já que as equipes estarão mais enxutas e cada um terá que atuar em diversas áreas simultaneamente”.

Segundo ele, as empresas irão demandar principalmente bons administradores. “Serão valorizados aqueles que sabem administrar custos, porque haverá uma necessidade de redução de custos”. Então, não demore a ampliar seu leque de conhecimentos!

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Para o engenheiro que presta serviços, a dica é fomentar sua rede de relacionamentos. “Haverá uma fuga de clientes e, para não ficar inativo por muito tempo, é importante cuidar do networking”.

Sustentabilidade: a nova era para o engenheiro

Engenheiro de formação, após 29 anos trabalhando no setor da construção civil, Valle fundou sua empresa, a Ecoesfera Empreendimentos Sustentáveis, que une o conceito de sustentabilidade à engenharia civil residencial.

Para ele, a sustentabilidade, cujo tema foi tão disseminado nos últimos anos, abriu portas para os engenheiros. “É um assunto que poucos profissionais dominam. O engenheiro que se aprofundar terá um diferencial no mercado. A preocupação da sociedade com a sustentabilidade tende a crescer e a crise não vai diminuir esse interesse. Todos os dias, as pessoas percebem que o clima está mudando”.