Consumista desde pequeno? Veja como tornar seu filho financeiramente responsável

De acordo com os especialistas, pais devem atentar para a própia educação financeira para moldar atitudes dos filhos

SÃO PAULO – Cuidar do dinheiro é matéria que se deve aprender desde a infância e cabe aos pais a árdua tarefa de ensiná-la. Contudo, alertam os especialistas, a primeira lição, e também a mais importante, é para os adultos e não para os pequenos.

Se você não consegue resistir a um pequeno luxo todas as vezes que faz compras, ou, quando fica deprimido, vai ao shopping, compra alguma coisa e se sente melhor, saiba que suas ações servem de modelo para os seus filhos.

“Suas ações estabelecem padrões de comportamento, e as crianças geralmente imitam os pais quando começam a aprender sobre a vida”, relata em seu livro “Ensine seu Filho a Cuidar do Dinheiro” (Editora Gente) a autora norte-americana Susanna Stuart.

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A professora da FGV (Fundação Getulio Vargas), Virene Matesco, concorda e completa: “os pais só podem ensinar aquilo que aprenderam, portanto, se a pessoa não tiver uma auto-educação financeira, a criança dificilmente terá.”

Não se torne um refém

A professora lembra ainda que, por culpa, pela falta de tempo ou mesmo por comodismo, muitos pais acabam se tornando reféns dos próprios filhos, cedendo a todos os pedidos da criança, o que contribui para que o pequeno se transforme em um grande consumista no futuro.

“Alguns pais até se endividam para agradar aos filhos. Dessa forma, a criança não aprende a ter limites. É necessário ensinar que o dinheiro tem um custo, fazer a criança refletir. Pergunte se aquilo que ela quer é realmente importante e a faça explicar o motivo”, sugere Matesco.

Mesada

A mesada, na visão das especialistas, pode se tornar uma boa aliada na hora de educar os filhos financeiramente. Contudo, se mal aplicada, o efeito será o contrário. “Se os pais estabelecem que a criança tem direito a uma determinada quantia mensal, eles terão que ser firmes e não dar dinheiro, caso o filho gaste tudo o que recebeu no primeiro dia”, observa a professora da FGV.

Além disso, é preciso perceber o momento certo de introduzir o benefício. De acordo com o texto de Susanna, por volta dos sete ou oito anos, as crianças começam a demonstrar interesse por ter algum tipo de renda. Entretanto, os pais devem observar se elas já reconhecem as diferentes moedas, se sabem contar, somar e subtrair e se já possuem o hábito de pedir coisas para elas durante as compras.

A autora alerta ainda que é muito importante que os pais ensinem os filhos a fazer um orçamento e relacionem os itens nos quais o dinheiro pode ser gasto. Porém, apenas isso não basta. Tais atitudes devem estar associadas às seguintes orientações:

  • Baseie a mesada em seu orçamento e no valor de mercado das mesadas pagas pelas famílias da escola de seu filho. Não dê mesadas altas demais;
  • Você pode associar tarefas especiais à mesada de seu filho, mas não tarefas cotidianas nem o desempenho escolar;
  • Seja coerente e mantenha as regras combinadas;
  • Pague pontualmente e evite empréstimos;
  • Elogie seus filhos por administrarem bem suas finanças e compras.

Poupar é importante

Além de aprender a gastar, as crianças também devem aprender a poupar. Neste sentido, Virene sugere aos pais que orientem os filhos a guardar um valor mensal, explicando que isto multiplica o dinheiro, que poderá ser utilizado no futuro.

Para ajudar nesta tarefa, a autora norte-americana aconselha aos pais que ajudem seus filhos a estabelecer metas, pois isto fará com que sejam melhores poupadores. E, caso haja resistência, diz ela, ofereça um bônus à criança quando ela atingir as metas estabelecidas.