Construção civil está com déficit de profissionais; sindicato anuncia greve

País precisará este ano de mais 150 mil trabalhadores. Aproveitando a situação, categoria reivindicará benefícios

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SÃO PAULO – A construção civil está com déficit de profissionais e deverá contratar mais este ano. A afirmação foi feita nesta segunda-feira (29) pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil (Sintracon-SP), Antônio de Souza Ramalho, ao afirmar ainda que a categoria pretende fazer uma greve.

Segundo ele, serão necessários pelo menos 150 mil novos profissionais da área em todo o País. Destes, 42 mil devem ser recrutados no Estado de São Paulo, com destaque de 15 mil para a capital paulista.

“O nível de emprego cresceu 5% em 2004; 2,5% em 2005 e deve ter crescido algo em torno de 6% no ano passado”, detalhou Ramalho. “A previsão é que a expansão seja de 7% a 9% neste ano”, adicionou.

Motivos

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Os motivos, segundo o sindicalista, são as medidas de incentivo à habitação, feitas pelo governo federal. Entre elas, Ramalho citou a redução de impostos sobre insumos da construção civil, que atingiu 41 produtos utilizados nas obras.

“O saco de cimento, por exemplo, que há quatro anos custava R$ 24, hoje custa R$ 10”, afirmou, citando ainda o financiamento direto do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em imóveis na planta.

“O Plano para Aceleração do Crescimento (PAC) também deve ajudar, por causa dos investimentos em infra-estrutura”, adicionou.

Financiamento

Vale lembrar ainda sobre o crescimento do financiamento imobiliário. Em recente entrevista a InfoMoney, José Pereira Gonçalves, superintendente técnico da Associação Brasileira das Entidades de Crédito e Poupança (Abecip), comentou que esse dinheiro oriundo do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) encerrou o ano passado na casa dos R$ 9 bilhões.

Para este ano, a expectativa é de R$ 10 bilhões. “Os bancos estão ampliando suas carteiras de crédito, e isso é bom para os potenciais tomadores, porque existem várias opções”, afirmou Gonçalves.

Greve

E, aproveitando a falta de profissionais, a categoria pretende fazer uma greve para reivindicar melhores condições de trabalho. A idéia é que as paralisações sejam iniciadas no dia 05 de março na região do Morumbi.

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“Depois daí o movimento deve crescer. Nossa idéia é que alcance o Brasil inteiro”, informou o sindicalista.

Média salarial

Veja abaixo a média salarial dos profissionais da construção:

  • Engenheiro civil: R$ 12.500 (para aqueles com mais de dez anos de experiência);
  • Mestre de obra: R$ 8.500;
  • Encarregado de obra: R$ 3.500;
  • Carpinteiro, amadores e pedreiros de alvenaria: R$ 950.

Reivindicações

A categoria tem quatro reivindicações: direito a plano de saúde; participação dos lucros e resultados (PLR); alimentação no local de trabalho, sob supervisão de um nutricionista; e critério para tarefas.

“Disciplinando as tarefas, cada trabalhador fará o que lhe cabe. Não trabalhará a mais de graça ou ganhando por fora. Haverá uma regularização”, afirmou Ramalho, estimando que, com isso, o menor dos salários da categoria (R$ 950), salte para R$ 3.500.

Depois disso, a idéia é pedir um aumento salarial real na casa dos 5%. “Isso para recuperar a perda que tivemos ao longo desses 30 anos”, finalizou.