Construção civil espera retomada dos empregos no primeiro trimestre

Estímulo ao crédito, pacote habitacional do governo e investimentos no PAC devem favorecer o setor

SÃO PAULO – A construção civil paulista aguarda a recuperação no nível de emprego no primeiro trimestre, com a redução dos juros, o estímulo ao crédito, o pacote habitacional do governo e os investimentos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

A expectativa é de que essas mesmas medidas auxiliem na manutenção do crescimento do setor em 2009.

A conclusão foi tirada de uma reunião realizada esta semana entre os presidentes do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), Sergio Watanabe, do Sintracon (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo), Antonio Ramalho, da Feticom (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado de São Paulo), Emilio Alves Ferreira Jr., e da Conticom (Confederação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira), Waldemar Pires de Oliveira.

Negociações

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De acordo com o SindusCon-SP, mais adiante, se houver necessidade de implantar medidas para evitar demissões, tais como a redução da jornada de trabalho ou a suspensão temporária do contrato de trabalho, isso será discutido caso a caso.

Para Ramalho, do Sintracon, a redução da jornada de trabalho com proporcional corte nos salários é complicada de se adotar na construção civil. Para ele, o setor deve lutar pela queda dos juros e por mais qualificação dos trabalhadores. “Seguro-desemprego sem qualificação é tiro no pé, porque só vai alimentar a informalidade no macrossetor, que está em 71% da mão-de-obra”, disse.

Alves, da Feticon, considerou o problema do emprego na construção menos preocupante do que em outros setores e sugeriu que questões como a redução da jornada de trabalho e a suspensão de contratos sejam tratadas dentro do setor, ao passo que problemas como a necessidade de queda nos juros e encargos devem continuar sendo negociadas no âmbito das centrais sindicais e da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

O perigo de alta na informalidade

Já o coordenador do Comitê de Tecnologia e Qualidade, Paulo Sanchez, e o vice-presidente de Tecnologia e Qualidade, Mauricio Bianchi, propuseram que o setor concentre esforços no combate à informalidade.

Sanchez alertou que, se o prazo de pagamento do seguro-desemprego aumentar de cinco para dez meses, isso poderá ocasionar demissões de trabalhadores contratados legalmente, que irão preferir receber o seguro-desemprego para, posteriormente, trabalhar na informalidade.

“No lugar de os sindicatos de trabalhadores pararem obras das construtoras formais, eles deveriam parar as obras executadas com mão-de-obra informal”, disse Sanchez. Por sua vez, Alves sugeriu a criação de uma comissão de empresários e trabalhadores com o intuito de montar um projeto contra a informalidade.

A reunião também contou com a participação do vice-presidente de Relações Capital-Trabalho, Haruo Ishikawa, que destacou que, mesmo com a redução de 105 mil postos de trabalho nos últimos dois meses de 2008, a construção ainda fechou o ano passado com a contratação de 198 mil trabalhadores, o que equivale a cerca de 12,6% a mais do que o saldo existente no fim de 2007.