Até 2010, metade do salário será para pagamento de impostos

Entre 1992 e 2006, a mordida do leão aumentou, em média, 1,25% anual sobre a renda do cidadão, conforme o IBET

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SÃO PAULO – Até o final de 2010, metade do salário do brasileiro será levado pelo governo federal em forma de impostos. Entre 1992 e 2006, a mordida do leão aumentou, em média, 1,25% anual sobre a renda do cidadão. Enquanto isso, nos Estados e municípios, a arrecadação passou de 25,38% do Produto Interno Bruto para 40%.

Fabiana del Padre Tomé, especialista do Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET), explica que existe um impasse entre contribuintes e a própria administração nacional: de um lado, brasileiros precisam ser desafogados do pagamento de tributos. Do outro, o governo necessita diminuir seu déficit, o que consegue fazer aumentando a arrecadação – seja ampliando a carga tributária, seja estimulando a formalidade.

Pagamentos

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostrou que os brasileiros trabalharam, até dia 26 de maio, apenas para conseguir arcar com o custo-Brasil. Em 2003, quase 37% do que os empregados ganhavam eram destinados a tributos, proporção que foi para 37,81% em 2004, 38,35% em 2005, 39,72% em 2006 e chegará a 40% neste ano.

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Quando o assunto é a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CMPF), bastante debatida neste ano, por conta da intenção do governo em prorrogar sua incidência (que terminaria no final deste ano) até 2011, esse período é de sete dias. A alíquota de 0,38% sobre as transações recolheu, no ano passado, R$ 32 bilhões. Neste ano a previsão é de R$ 39 bilhões.

Internet

Apenas para se ter uma idéia, se não fosse a alta carga tributária imposta às empresas, 150 milhões de consumidores das classes C, D e E teriam acesso mais facilitado à internet e à telefonia.

Segundo a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), no ano passado, a incidência de impostos sobre esse setor era de 41% sobre o valor do serviços, mesmo em telefones celulares pré-pagos e orelhões. Ao todo, foram arrecadados R$ 33 bilhões. E com maiores gastos, mais os clientes pagam pela aquisição.

Meio trilhão de reais

O Impostômetro, divulgado nesta sexta-feira (20) pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), apontou que, nos 203 primeiros dias deste ano, o total arrecadado pelo governo chegará a meio trilhão de reais ou R$ 500 bilhões.

“Fala-se muito na necessidade de uma reforma tributária. A cada ano, os percentuais de arrecadação dos tributos são mais elevados, onerando as cadeias produtivas, indústrias e prestação de serviço”, comentou a tributarista do IBET.