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A Lincros, startup catarinense de soluções logísticas, perdeu um sócio de peso no último mês de novembro – o grupo Sequoia. No entanto, os donos do negócio não parecem incomodados com isso. Pelo contrário: com mais de 80% da empresa, os controladores enxergam oportunidades de expansão com mais autonomia e liberdade, sem pressão por crescimento desenfreado. Prestes a fechar o ano com faturamento de R$ 30 milhões, a logtech não prevê novas vendas de participação no curto prazo e prefere apostar em expansão orgânica, com os recursos dos quais dispõe hoje.
O negócio principal da Lincros é um software que acompanha toda a rotina de entregas, calcula roteiros e rastreia o envio em tempo real. A startup foi fundada em Blumenau, no ano de 2012, pelos sócios Gilson Chequeto, Jean Pereira e André Jacinto. De lá para cá, recebeu aporte de investidor-anjo, family office e de empresa listada em Bolsa. A logtech também já esteve do outro lado do balcão, ao comprar, em 2019, uma fatia da HBSIS, braço de soluções tecnológicas da Ambev, antes de se tornar Ambev Tech.
A Sequoia foi sócia da Lincros por pouco mais de dois anos. Assumiu 41% do capital social da empresa em outubro de 2021 e pagou R$ 38 milhões pela participação. “Como sócio, a Sequoia nos ajudou, principalmente, a amadurecer a nossa tecnologia, com ganhos de infraestrutura e estabilidade de software em operações de grande porte”, afirmou Gilson Chequeto, CEO da Lincros, ao IM Business. “Ganhamos robustez”.
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No mês passado, porém, a Sequoia vendeu sua fatia de volta à JGA Participações, holding dos fundadores da Lincros, para reforçar capital de giro e seguir com seu plano de retomada de crescimento, o que inclui a venda de ativos considerados não estratégicos. A empresa de logística, altamente exposta ao setor varejista, registrou prejuízo por três trimestres seguidos em 2023, impactada pela desaceleração do e-commerce.
No entanto, a Sequoia acabou vendendo sua participação na Lincros por R$ 22 milhões, quase metade do que desembolsou para entrar na empresa. “Todos os nossos sócios, até então, saíram da Lincros com rentabilidade em seus investimentos. A gente gostaria que também tivesse sido assim com a Sequoia, mas, pelo momento deles e a capacidade financeira da nossa holding, chegou-se numa proposta que, inevitavelmente, foi num valor inferior”, explica Chequeto.
O CEO conta que os critérios para avaliação de empresas de TI nesse tipo de transação também ficaram mais conservadores nos últimos anos. “Antes eram metodologias de múltiplos de faturamento e agora as empresas estão olhando mais múltiplo de Ebitda, de resultado, então isso mudou no mercado de uma forma geral. […] Então nós também precisávamos ser mais conservadores na proposta que fizemos para a Sequoia.”
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O executivo revela que a Lincros chegou a receber proposta de um fundo pela participação que era da Sequoia, por um valor superior ao que a empresa de logística pagou em 2021. Mas esse potencial comprador também queria adquirir uma fatia de 10% da JGA e, assim, ficaria com o controle da empresa. “Mesmo sendo um valuation super atraente, não era o suficiente para justificar o risco de entregar o controle da empresa”, afirma o CEO.

A JGA, atualmente, tem 81% da participação total da empresa e 95% das ações de controle. É o mesmo percentual que os controladores tinham à época da fundação, antes dos primeiros investidores-anjo fazerem aportes na logtech.
A Lincros projeta faturamento de R$ 41 milhões para 2024 e de R$ 53 milhões para 2025. No ano que vem, a expectativa é que o resultado seja entregue sem a necessidade de um investidor adicional. Chequeto diz que a empresa está sendo capaz de desenvolver iniciativas com caixa próprio e de forma orgânica.
Atualmente, a Lincros possui 241 clientes (incluindo a Sequoia), tem mais de 130 mil transportadores e autônomos cadastrados em seus sistemas, que carregam um volume médio de 2,3 mil toneladas por mês. Segundo o CEO, a evolução na carteira de clientes e de licenciamento de usos do sistema da Lincros deve responder por 50% do crescimento da receita esperada para 2024. A outra metade, vai vir de uma linha de inovação, como dois novos produtos a serem lançados no ano que vem: o Fretemax, plataforma de intermediação de fretes focada em pequenas e médias empresas da indústria; e um sistema de operacionalização personalizada (BPO), que está em fase final de testes.
Um possível novo investimento poderia vir a partir de 2025 ou 2026. “Mas a gente está constantemente falando com o mercado, mantendo a Lincros bem posicionada diante de potenciais investidores”, conclui Chequeto.
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